Era nítido para quem estava no estádio que tinha uma história diferente ali sendo escrita. E, no meu ponto de vista, que eu sustento até hoje, a maior parte daqueles aplausos não eram de veneração a Ronaldinho e, sim, de sarcasmo. Era aplausos irônicos ao time formado por Florentino Pérez, então (e até hoje) presidente do Real, com sua política de “Zidanes y Pavones”, ou seja, a mescla de craques consagrados com jovens da base. O problema é que os “galácticos” já andavam meio cansados, e os da base eram fracos. Florentino preferiu Beckham a Ronaldinho no mercado e quem se deu bem com isso foi o Barcelona. Aqueles aplausos foram a explosão de descontentamento da torcida madridista diante da situação.
Mas, claro, a narrativa que entrou para a história foi a do Real Madrid como um clube “cavalheiro”, um clube capaz de aplaudir o bom futebol e reconhecer a superioridade do maior rival. Para mim, era balela. Ficou para a história assim, no entanto.
Quando acabou o jogo, eu corri para a zona mista. Naquela época, que saudades, os jogadores todos passavam pela área de entrevistas. Podiam não falar, muitos não falavam, mas tinham que passar por ali. Eu conhecia as alamedas do Santiago Bernabéu e sabia exatamente como chegar da arquibancada, onde eu estava, até a zona mista. Só que eu não estava credenciado, como vocês bem se lembram. Para entrar na ZM, era preciso um passe, um papel simples dentro de um plástico, com uma cordinha para pendurar no pescoço. Essa credencial não era recolhida na entrada e não era nominal.
Lá fiquei eu na porta esperando alguém sair para eu poder entrar. Demorou para caramba. Devem ter sido uns 40 minutos, que pareceram dias de espera. Até que saiu um rapaz alemão, lembro bem. Expliquei a situação para ele, que tirou do pescoço e me deu a credencial. Mas avisou: “os caras do Real Madrid já foram embora…”
Seis brasileiros tinham sido titulares naquela partida. No Real, Roberto Carlos, Ronaldo e Robinho, além de Júlio Baptista, que entrou no segundo tempo. No Barça, Edmílson, Deco e Ronaldinho foram titulares e Sylvinho ficou no banco. Era uma zona mista obrigatória. E, claro, se eu tivesse de escolher, entrevistaria o lado vencedor. Estava mais do que valendo. E como valeu! A reportagem completa que foi ao ar na Band está aqui abaixo, eu subi no You Tube uns anos atrás.
