05/03/2026

5 de março de 2026 17:25

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47% das empreendedoras brasileiras atuam com renda comprometida, diz estudo

Quase metade das empreendedoras jovens e emergentes do Brasil tem entre 81% e 100% da renda já comprometida, segundo estudo da Serasa Experian divulgado para o Dia Internacional da Mulher.

O dado revela um cenário de pressão financeira relevante dentro de um grupo que reúne mais de 2,6 milhões de brasileiras à frente de negócios.

De acordo com o levantamento, 47,3% dessas mulheres operam com a renda praticamente toda comprometida e mais da metade tem capacidade financeira mensal de até R$ 1 mil.

“Isso indica uma margem financeira mais restrita para lidar com imprevistos ou oscilações de receita”, afirma Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian. 

Segundo Giroto, “nesse cenário, gestão de fluxo de caixa e acesso a crédito adequado se tornam ainda mais importantes para garantir continuidade e estabilidade do negócio no longo prazo”.

Comportamento

Apesar do alto nível de comprometimento, o grupo mantém forte relação com crédito e consumo digital. A pesquisa aponta que cerca de 45,1% utilizam o cartão de crédito como principal meio de pagamento, 32,6% têm afinidade com bancos digitais e 84% realizam compras online. 

Além disso, quase 64% demonstram aderência a perfis ligados à renda flexível, como o de motorista por aplicativo, indicando busca por complementação financeira e modelos mais adaptáveis à sazonalidade do negócio.

A renda é concentrada nas faixas mais baixas: 38,4% ganham até R$ 2 mil por mês, enquanto pouco mais de 11% recebem acima de R$ 10 mil.

Mais da metade tem capacidade financeira mensal de até R$ 1 mil, o que ajuda a explicar o elevado nível de endividamento observado no levantamento.

Mais de um terço (34,3%) das empreendedoras têm entre 49 e 65 anos. As faixas de 39 a 48 anos (27,2%) e de 29 a 38 anos (23,5%) aparecem na sequência. Apenas 14,8% têm entre 18 e 28 anos.

“Esse dado sugere que, para muitas brasileiras, empreender não é necessariamente a primeira escolha profissional, mas um movimento que acontece ao longo da trajetória de carreira”, afirma a CMO.

A executiva acrescenta que mulheres mais maduras tendem a acumular experiência técnica, repertório de mercado e rede de relacionamento, além de uma visão mais clara sobre riscos e oportunidades. 

Em pesquisa anterior da companhia, 46% das mulheres apontaram a flexibilidade de tempo como principal motivação para empreender, além da busca por independência financeira.

“Isso indica que muitas estão buscando um modelo de trabalho que permita conciliar melhor renda, autonomia e demandas pessoais”, explica.

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