13/02/2026

13 de fevereiro de 2026 19:23

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Boa Safra mantém estratégia de crescimento e diversificação

O setor de sementes, que movimenta anualmente cerca de R$ 45 bilhões no Brasil, enfrentará um cenário desafiador em 2026. Segundo levantamento da consultoria Céleres, o mercado deve vivenciar uma guerra de preços e redução de margens, principalmente no segmento de soja.

Em entrevista ao CNN Money nesta sexta-feira (13), o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, comentou que, apesar das dificuldades, a Boa Safra, uma das maiores empresas do setor, mantém estratégia de crescimento e diversificação: “É um momento de dificuldade, mas apresenta também oportunidades”.

Marino Colpo, da Boa Safra, reconhece o momento difícil que o setor atravessa. ” Durante os anos de ouro, que a gente brinca que foram os anos da soja mais valorizada, teve um grande investimento no setor. E hoje o setor vive realmente um excesso de oferta”, afirmou.

Segundo ele, cada empresa tem organizado a própria estratégia para enfrentar esse período de turbulência, que já resultou em algumas recuperações judiciais no setor. Ele destacou que, mesmo com o momento difícil para o setor, a empresa está em crescimento, em 2025 o market share aumentou em 30%.

Estratégia de diversificação

A Boa Safra tem apostado na diversificação como forma de enfrentar a crise. “Em 2021, quando a gente fez o nosso IPO, a empresa era 100% semente de soja. Hoje, a gente já tem 20% em outras culturas”, destacou Colpo. Entre os novos produtos, estão sementes de milho, sorgo, feijão, trigo e forrageiras. Além disso, a empresa lançou novas marcas, como a Avra, com genética exclusiva, e a Elite, voltada para agricultores que buscam sementes com alto índice de germinação.

Mesmo sem fazer grandes investimentos em capacidade produtiva, a empresa tem conseguido crescer. “A gente não tem investido, a gente parou os investimentos para crescer, mas a gente tem feito ajustes na produção”, explicou.

No final de 2025, a Boa Safra arrendou duas unidades no Paraná, o que permitiu aumentar a produção sem necessidade de grandes aportes financeiros. No ano passado, a empresa cresceu 30% em volume de vendas.

CEO Dda Boa Safra, Marino Colpo• *reprodução

Solidez financeira como diferencial

Um dos principais diferenciais da Boa Safra, segundo Colpo, é sua saúde financeira. “Hoje a gente é uma empresa caixa líquida, a gente não tem dívida. Então, eu acho que isso ajuda muito a passar esse momento de crise”, afirmou. Essa solidez tem atraído clientes preocupados com a continuidade do fornecimento de sementes, em um momento em que várias empresas do setor enfrentam dificuldades.

Para melhorar os resultados, a empresa realizou cortes em dezembro, principalmente após um rápido crescimento nos últimos anos. “A gente saiu de 3 unidades para 16 unidades. Quando a gente olha as nossas fábricas, a gente vê que nem todas estavam na mesma sintonia”, explicou Colpo. A empresa também tem trabalhado em uma revisão de processos para se tornar mais eficiente.

Quanto ao futuro do setor, Colpo acredita que a crise pode começar a se reverter a partir do meio de 2026. “A gente conversa com muitos analistas. A visão dos analistas é que a partir do meio desse ano, a gente chegou meio que no fundo do poço”, avaliou. Ele destacou que os estoques elevados já começam a cair e que a área plantada de soja está diminuindo nos Estados Unidos, o que pode ajudar a equilibrar o mercado. “Pelas informações que a gente tem, parece que o ciclo de baixa está chegando no final”, concluiu.

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