15/02/2026

15 de fevereiro de 2026 18:55

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Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities

O crédito rural voltou ao centro das decisões no campo brasileiro em 2026. Com preços de grãos mais pressionados e maior incerteza climática, a diferença entre usar a linha correta de financiamento e recorrer ao crédito inadequado passou a interferir diretamente no resultado da safra. Hoje, em muitas propriedades, o custo financeiro pesa tanto quanto o custo de produção.

O sistema brasileiro oferece diversas opções dentro do Plano Safra e dos repasses do BNDES, mas elas não são equivalentes. Cada linha foi criada para um tipo específico de investimento — aquisição de terra, mecanização ou modernização produtiva — e as taxas variam bastante. A escolha errada pode elevar o custo total do investimento por anos.

Na compra de áreas rurais, a opção mais barata não está nos financiamentos bancários tradicionais. O principal instrumento é o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), destinado principalmente a agricultores familiares e trabalhadores rurais que desejam adquirir sua primeira propriedade ou ampliar pequena área produtiva. Com juros subsidiados próximos de 3% a 4% ao ano, prazos longos que podem se aproximar de duas décadas e período de carência inicial, a parcela anual frequentemente se aproxima do valor de um arrendamento. Por isso, economistas rurais consideram a linha a mais vantajosa do país para aquisição de terra.

Dentro do mesmo perfil, o Pronaf Terra também permite a compra de imóvel rural para agricultores familiares com enquadramento ativo. As taxas costumam permanecer abaixo de 5% ao ano. Já médios e grandes produtores normalmente recorrem ao crédito de investimento via Banco do Brasil, Caixa ou repasses do BNDES. Nesses casos, os juros geralmente ficam entre 7% e 11% ao ano e exigem garantias reais. O acesso é mais rápido, mas o custo financeiro é significativamente maior. Para compra de terra, portanto, o crédito comercial é a alternativa mais cara.

A mecanização segue outra lógica. O Moderfrota continua sendo a principal linha de financiamento para tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Com juros controlados na faixa de cerca de 8% a 10% ao ano e prazo de pagamento que pode chegar a sete ou oito anos, a linha foi estruturada para que o ganho de produtividade do equipamento pague o financiamento ao longo do tempo. Por isso, mesmo produtores capitalizados frequentemente preferem financiar máquinas em vez de comprar à vista, preservando caixa para custeio da lavoura.

O agricultor familiar encontra condição ainda mais barata no Pronaf Mais Alimentos para aquisição de máquinas, com taxas entre aproximadamente 3% e 6% ao ano, embora com limites menores de financiamento. Já o BNDES Finame financia equipamentos novos e, em alguns casos, usados, com juros normalmente mais elevados, podendo chegar à faixa de dois dígitos. Ele é usado quando o equipamento não se enquadra no Moderfrota ou quando o limite oficial já foi atingido.

Nos investimentos estruturais, as linhas de modernização tornaram-se as mais competitivas. O PCA, voltado à construção de silos e armazéns, opera com juros em torno de 7% a 8,5% ao ano e prazos longos, permitindo ao produtor armazenar e vender fora do pico de colheita, quando os preços estão mais baixos. O Programa ABC, destinado à recuperação de pastagens, plantio direto e integração lavoura-pecuária, trabalha com taxas próximas de 6% a 8% ao ano e também prazos extensos. O Proirriga financia sistemas de irrigação com juros próximos aos das linhas de investimento tradicionais, mas com carência, e tem crescido diante das irregularidades climáticas recentes. Para médios produtores, o Pronamp funciona como linha intermediária para melhorias gerais, com taxas próximas de 8% a 10% ao ano.

O crédito pode ser contratado em bancos públicos ou cooperativas financeiras, mas técnicos do setor apontam que o fator decisivo não é a instituição e sim o enquadramento correto. Muitas propostas são negadas não por falta de recursos, mas por erro na escolha da linha ou documentação fundiária irregular. Quando bem estruturadas, operações subsidiadas conseguem custos próximos de 3% ao ano e prazos de até 15 anos, especialmente para pequenos produtores ou projetos enquadrados em políticas agrícolas.

RESUMO

1) Compra de áreas rurais

A aquisição de terra é o investimento de maior prazo dentro da atividade rural — e também aquele com maior diferença de custo entre linhas.

PNCF – Programa Nacional de Crédito Fundiário
É a principal política pública para compra de terra por pequenos produtores e trabalhadores rurais.
• juros subsidiados: cerca de 3% a 4% ao ano
• prazo: até aproximadamente 20 anos
• carência inicial
É, hoje, o financiamento mais barato existente para aquisição de área rural no país. A parcela anual frequentemente se aproxima do valor de arrendamento da mesma área.

Pronaf Terra (agricultura familiar)
• juros: geralmente entre 3% e 5% ao ano
• prazos longos
• exige enquadramento como agricultor familiar (CAF/DAP)
Alternativa semelhante ao crédito fundiário para pequenos produtores já estabelecidos.

Crédito de investimento (BB, Caixa ou repasses do BNDES)
Utilizado por médios e grandes produtores.
• juros: normalmente entre 7% e 11% ao ano
• prazos menores
• exige garantias reais
É o mais rápido de contratar, porém também o mais caro para comprar terra. Economicamente, só se justifica quando a expansão produtiva gera retorno imediato.

Conclusão:
Para aquisição de área, o crédito fundiário e o Pronaf Terra são claramente os mais vantajosos. Usar linha comercial para terra é, em geral, a opção de maior custo financeiro.

Leia Também: BNDES amplia crédito rural e projeta até R$ 70 bilhões na safra 25/26

 


2) Máquinas e equipamentos

Aqui está a operação mais comum no crédito rural brasileiro.

Moderfrota (tratores, colheitadeiras e autopropulsados)
• juros controlados: normalmente entre 8% e 10% ao ano
• prazo: até cerca de 7 ou 8 anos
É a principal linha do país e a mais utilizada porque o ganho de produtividade do equipamento costuma pagar o financiamento.

Pronaf Mais Alimentos – máquinas (pequenos produtores)
• juros: cerca de 3% a 6% ao ano
• limite menor de financiamento
É a opção mais barata para agricultores familiares.

BNDES Finame
• juros: geralmente 9% a 13% ao ano
• maior flexibilidade de equipamentos
Serve como alternativa quando o equipamento não se enquadra no Moderfrota ou quando o limite da linha oficial já foi atingido.

Conclusão:
Para pequenos produtores, Pronaf máquinas é o menor custo. Para médios e grandes, o Moderfrota continua sendo a opção economicamente mais eficiente. O Finame é solução complementar, não a mais barata.


3) Modernização da propriedade

Inclui armazenagem, irrigação, recuperação de solo e tecnologia produtiva. Aqui estão algumas das linhas com melhor relação entre prazo e juros.

PCA – armazenagem (silos e armazéns)
• juros: cerca de 7% a 8,5% ao ano
• prazo longo
Uma das linhas mais vantajosas porque permite ao produtor vender fora da pressão de safra.

Programa ABC (recuperação de pastagens e sistemas sustentáveis)
• juros: aproximadamente 6% a 8% ao ano
• prazo longo
Bastante usado em pecuária e integração lavoura-pecuária.

Proirriga – irrigação
• juros: em torno de 7% a 10% ao ano
• prazo longo com carência
Tem crescido devido à irregularidade climática.

Pronamp – médios produtores
• juros intermediários (aprox. 8% a 10% ao ano)
• modernização geral da propriedade
Funciona como linha “coringa”.


Onde contratar

O crédito pode ser solicitado em:
• Banco do Brasil
• Caixa Econômica Federal
• cooperativas de crédito (Sicredi, Sicoob, Cresol)

O ponto decisivo não é o banco, mas o enquadramento correto e o projeto técnico. Grande parte das negativas ocorre por erro na linha escolhida ou documentação fundiária irregular.


O que é mais barato — resumo direto

Compra de terra:
mais barato → Crédito Fundiário / Pronaf Terra

Máquinas:
pequenos produtores → Pronaf máquinas
médios e grandes → Moderfrota

Infraestrutura e tecnologia:
melhor custo-benefício → PCA e Programa ABC

O crédito rural brasileiro continua subsidiado, mas não é automático. Hoje, a rentabilidade da safra depende não só do clima e do preço da soja ou do milho, mas da estrutura financeira da fazenda. Escolher a linha correta virou decisão econômica tão importante quanto escolher a cultura a plantar

Fonte: Pensar Agro

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