19/02/2026

19 de fevereiro de 2026 16:41

Chamar carne de proteína mata o prazer na alimentação

“Escolha sua proteína.” Nem a pau. Dê-me outras opções, se não for pedir demais. Algo gostoso de preferência, uma comida, talvez uma carne.

Essa coisa de chamar carne de proteína —e aí meter no mesmo balaio ovos, queijos e a famigerada proteína texturizada de soja (PTS)— tira mais o apetite do que as injeções de Ozempic ou Mounjaro.

É a broxada gastronômica. Equivale a assistir a um episódio de “Chapolin” para criar um clima no motel.

Chamar carnes de proteína é uma das armas das tais das dietas funcionais: você põe a comida como uma substância com função específica na planilha da “nutri”. Elimina o prazer da equação. Iguala a picanha a um suplemento.

As proteínas estão em alta porque ajudam a galerinha maromba a ganhar massa muscular mais facilmente. Repare no surto que assola a indústria alimentícia: a proteína do soro do leite, vulgo whey, tem sido acrescentada a quase tudo que possa ser engolido.

Tem whey na barra de chocolate, no café gelado, no iogurte, no pote de sorvete. Fulaninho acha que está sendo saudável às pampas quando mete para dentro uma barra com 19 gramas de proteína com uma tonelada de doce de leite para deixar a gororoba minimamente tragável.

Até aí tudo bem, cada um faça o que achar melhor desde que respeite um ou outro limite. É pedir demais?

Aparentemente é. Dia desses topei com uma loja de milk-shakes turbinados com whey, que se autodenomina “o 1º protein shake bar do Brasil”. Aí não dá. Deixem o bar em paz. E também as churrascarias.

Protesto lavrado, vamos à receita da semana. Escolhi, naturalmente, um prato de carne: a cochinita pibil, típica da península de Yucatán, no México.

Tradicionalmente, é uma leitoa (cochinita) envolta em folhas de bananeira, assada lentamente num buraco feito no chão e posteriormente tapado (o pibil).

Óbvio que você não fará isso: efeito semelhante se obtém levando a carne de porco numa panela fechada no forno baixo. As folhas de bananeira, que queimam no processo e dão um sabor defumado, você acha na internet. Se não achar, use papel alumínio.

O tempero é à base de laranja-da-terra (trocamos por uma mistura de laranja, limão e pomelo) e urucum.

Antes de os espanhóis chegarem com os porcos, os maias faziam esta receita com cateto, veado ou aves silvestres. Sinta-se à vontade para substituir a proteína, ops, a carne.

COCHINITA PIBIL

Rendimento: 10 a 12 porções

Dificuldade: difícil

Tempo de preparo: 2 horas

Ingredientes

  • Suco de 3 laranjas, 1 pomelo e 1 limão
  • 5 dentes de alho triturados
  • 2 colheres (sopa) de colorau
  • 1 colher (sopa) de cominho em pó
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 1 colher (chá) de pimenta-da-jamaica moída
  • 1 colher (chá) de orégano
  • 1,5 kg de copa-lombo em pedaços graúdos
  • 2 a 4 folhas de bananeira
  • Para servir: tortilhas, purê de feijão e picles de cebola roxa

Preparo

  • Misture os temperos aos sucos e deixe a carne nessa marinada por 4 a 8 horas, na geladeira

  • Passe as folhas de bananeira na chama do fogão: assim elas ficam flexíveis e não rasgam. Forre com as folhas uma panela que possa ir ao forno

  • Aqueça o forno a 170ºC. Coloque a carne com a marinada na panela e cubra com mais folhas. Tampe com papel-alumínio e a tampa da panela. Deixe assar por duas horas.

  • Desfie a carne e sirva com tortilhas, feijão amassado e cebola roxa


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