O presidente Javier Milei prometeu virar a Argentina de cabeça para baixo por meio de uma reforma trabalhista que praticamente muda a cara do país, e que está sendo discutida neste momento na Câmara dos Deputados em Buenos Aires, após passar pelo Senado.
A Argentina tem um amplo sistema de direitos trabalhistas, com grande força dos sindicatos, desde os tempos do ex-presidente argentino Juan Domingo Perón.
Combinar direitos e sindicatos é praticamente a cara do peronismo nos últimos setenta anos e é exatamente isto que Milei atacou.
A reforma propõe até mesmo aumentar de oito para doze horas a carga de trabalho diária.
Reduz na prática o direito de greve, facilita demissões, coloca o que seria o equivalente ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de lá sob administração privada, permite pagar salários em dólares, diminui a atividade de sindicatos dentro das empresas e a margem de ação da Justiça em litígios trabalhistas.
A ideia da reforma, defende o governo, é reduzir uma informalidade que chega a 40% da força de trabalho.
Para sindicatos a reforma é simplesmente inaceitável. A resposta foi uma greve geral que parou o país devido à adesão de sindicatos de transportes. É a quarta greve geral enfrentada por Milei em seus poucos mais de dois anos de mandato.
Até aqui, o presidente argentino colheu na política resultados mais vistosos do que na economia, que prossegue com desemprego e inflação altas, se recuperando e estabilizando em ritmo menor do que o esperado.
Portanto, o teste real de força é justamente a aprovação dessa reforma, na qual fracassaram até aqui todos os governos argentinos não peronistas.
