O técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany, afirmou que o mais grave do incidente de racismo do argentino Gianluca Prestiani contra o brasileiro Vinicius Jr., na partida entre Benfica e Real Madrid, na última terça-feira (17), foi a reação do técnico dos portugueses, José Mourinho, ao instrumentalizar a figura de Eusébio, um jogador que também sofreu discriminação pela cor de sua pele.
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (20), prévia à partida contra o Eintracht Frankfurt, pela Bundesliga, Kompany, que é negro, afirmou que Mourinho atacou o caráter de Vinir Jr. para descredibilizar a acusação do brasileiro contra o atleta argentino.
“Ele [Mourinho] basicamente atacou o caráter de Vinicius para desacreditar sua denúncia. Isso é algo que não devemos aceitar”, afirmou o treinador belga, em alusão às críticas de Mourinho à comemoração do gol do jogador brasileiro antes do incidente.
“Além disso, ele menciona Eusébio e diz que o Benfica não pode ser racista porque ele é o maior jogador de sua história. Ele tem ideia do que os jogadores negros na Europa tinham que suportar nos anos 60? Ele estava ao lado de Eusébio em seus jogos como visitante?”, acrescentou.
Kompany relatou saber, por meio de seu pai, que naquela época a única possibilidade que um jogador negro tinha na Europa era ser muito melhor que os outros para ganhar um pouco de respeito, e que praticamente não havia espaço para fazer denúncias como a que Vini Jr. fez agora.
Sobre a situação específica, Kompany ressaltou que, ao observar as imagens, é possível comprovar que o brasileiro estava realmente abalado e que, além disso, não tirava nenhuma vantagem esportiva com sua queixa ao árbitro.
O técnico belga afirmou ainda que acha difícil falar sobre esses temas porque não quer se alinhar a um lado ou outro de uma polêmica, nem condenar ninguém como pessoa.
Segundo ele, em um caso assim, seu mundo ideal seria aquele em que o autor de uma ofensa desse tipo pudesse pedir desculpas.
“Meu mundo ideal seria aquele em que, em um caso como esse, quem cometeu um erro pudesse se desculpar e que isso tivesse efeito na punição. A punição pode ser uma ou outra, mas o fato de o responsável dizer que errou e pedir desculpas é algo que deveria influenciar”, argumentou.
A respeito de Mourinho, declarou que não acredita que ele seja “uma pessoa ruim” e que nunca teve qualquer problema com o treinador nos jogos em que se enfrentaram.
“Mas sei o que ouvi, e ele cometeu um erro”, finalizou.
