O Grêmio vota, no próximo dia 17 de março, em seu Conselho Deliberativo, a aprovação ou não da saída do clube do bloco da Libra para aderir ao Futebol Forte União (FFU).
A proposta que atrai o Imortal inclui a possibilidade de vender 10% dos direitos de transmissão de seus jogos do Campeonato Brasileiro pelos próximos 50 anos, contando com a Sportsmedia, empresa responsável pela negociação, como sócia.
É um movimento similar ao que foi feito nos últimos meses por clubes como Vitória e Atlético-MG, que também integravam a Libra.
No caso do Grêmio, além da aprovação do Conselho Deliberativo tricolor, a mudança de bloco também depende de uma autorização do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Existe otimismo no FFU de que contarão com os gaúchos no futuro.
Segundo apurou a ESPN, a Libra ainda trata tanto o Grêmio, quanto Vitória e Galo, como vinculados ao bloco institucionalmente, com contrato vigente até 2029.
A reportagem ouviu diferentes fontes para entender o que tem motivado esse movimento nos bastidores. A primeira razão é financeira. Ao contrário da Libra, a FFU ofereceu aos clubes, via Sportsmedia, a possibilidade de acesso rápido a recursos, com a venda de um percentual dos direitos de transmissão futuros. Isso fez com que muitas equipes que buscavam dinheiro imediato aceitassem o negócio.
O caso do Grêmio não é diferente. Assumido por uma nova direção no início deste ano, o Imortal atravessa dificuldades financeiras, tendo acertado, por exemplo, a saída de 21 atletas, e encarado problemas com a falta de repasses da Alfa Bet, então patrocinadora máster da equipe.
Na Libra, por conta do modelo de organização do bloco, os clubes não contam com essa possibilidade da venda de parte dos direitos como na FFU. A ESPN apurou que o bloco tem se organizado internamente a partir de seu departamento comercial para tentar oferecer uma alternativa.
Recentemente, a Libra chegou a costurar um acordo com o banco Daycoval para que os clubes tivessem a opção de vender 5% de seus direitos de transmissão por 15 anos. A oferta, no entanto, foi retirada um tempo depois, algo que irritou diversos clubes do bloco, como, por exemplo, Atlético-MG e Grêmio, que passaram a retomar as conversas com a Sportsmedia em busca de uma nova fonte de renda.
Disputa judicial com o Flamengo
Outro fator que ajuda a explicar a atual situação da Libra é a postura do Flamengo com relação ao bloco. Com a chegada de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, à presidência, no lugar de Rodolfo Landim, o clube passou a questionar a divisão de dinheiro proposta e, como noticiou a ESPN, desde o final de 2025 há uma disputa judicial envolvendo as partes.
O Flamengo entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ) pedindo o bloqueio do repasse de R$ 77 milhões aos demais times do bloco, entendendo que a divisão da parte da verba distribuída pela Libra por audiência era injusta.
O cálculo rubro-negro é que, no modelo proposta pela Libra, o Flamengo receberia cerca de 10,41% da receita proveniente dessa variável, enquanto considera que detém 47% da torcida dos clubes do bloco. Na interpretação carioca, por tanto, o time estaria recebendo menos do que tem direito.
O imbróglio impactou diretamente em clubes que, com necessidades maiores, contavam com esse dinheiro e gerou desgaste com o Flamengo. O incômodo é com a intransigência do clube na mesa de negociação, principalmente com relação a valores.
Em meio a este cenário, existe a possibilidade de que, no futuro próximo, outros clubes repitam o movimento a caminho da FFU. A Libra, por outro lado, tenta se movimentar para oferecer algo semelhante e se manter de pé em meio a uma possível debandada.
