Era uma vez a amizade improvável entre uma anta e uma capivara. Figurinhas carimbadas no Brasil, o destino dos animais se cruzou muito longe das terras tupiniquins, no frio do sudoeste do Reino Unido, mais precisamente no Newquay Zoo.
O que as inseparáveis amigas não sabiam é que, embora tivessem nascido em locais diferentes, o fim desta história seria selado em conjunto. Pode parecer enredo de filme triste, mas foi exatamente o que ocorreu com as carismáticas Johnson e Al Capone, capivara de nove anos e anta de 20 anos.
A história da dupla no Newquay Zoo atravessa quase uma década. Johnson, o maior roedor do mundo, nasceu no Chester Zoo em 2016 e foi transferido para a instituição em 2017. Já Al Capone, representante do maior mamífero terrestre do Brasil, nasceu em 2005 na Polônia e chegou ao zoológico britânico em 2014.
Embora pertençam a espécies diferentes, antas e capivaras compartilham hábitos sociais e o amor pela água, o que facilitou a conexão única que as duas criaram ao longo dos anos.
Na semana passada, porém, um capítulo triste começou a ser escrito. Após avaliação da saúde de ambas, a equipe veterinária decidiu sacrificar a dupla. O veredito não foi baseado apenas na ciência, mas também na empatia.
Ambos os animais vinham enfrentando um declínio de saúde irreversível nos últimos meses devido à idade avançada, o que comprometia gravemente a qualidade de vida.

No entanto, o fator decisivo para que o procedimento ocorresse no mesmo dia foi o forte vínculo afetivo desenvolvido entre eles ao longo de anos de convivência. Para os cuidadores, permitir que um deles sobrevivesse ao outro significaria condená-lo ao sofrimento do isolamento e da perda do companheiro.
“Foi difícil para nós nos despedirmos dos dois ao mesmo tempo, mas foi a decisão mais gentil a se tomar por eles”, declarou um porta-voz do zoológico ao MailOnline.
“Ambos eram membros muito queridos da nossa comunidade, e sua ausência será profundamente sentida por funcionários e visitantes.”
