A seguradora Allianz vai deixar de nomear o estádio do Palmeiras. A decisão foi tomada em meio a uma mudança de estratégia da companhia, que busca ampliar o tamanho da operação no Brasil e crescer em outros Estados para além de São Paulo, disse o presidente da companhia, Eduard Folch, ao Valor.
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O contrato para os “naming rights” do estádio paulista foi firmado com a WTorre em 2013, com prazo de 20 anos. “Só que o investimento feito há mais de uma década não reflete o atual desejo da companhia de estar próxima das pessoas em vários cantos do Brasil”, afirmou o executivo espanhol, à frente da operação brasileira da Allianz desde 2018. “Reconhecemos a importância do investimento para a consolidação da marca, mas estamos em um período de crescimento acelerado e expansão territorial e optamos por encerrar esse ciclo.”
Os termos financeiros do encerramento do contrato não foram divulgados. Segundo o executivo, as negociações com interessados nos direitos do nome são conduzidas pela WTorre, sem participação da seguradora.
Em 2014, quando o estádio do Palmeiras foi inaugurado, o faturamento da Allianz no país girava em torno de R$ 3,5 bilhões. No ano passado, a receita da companhia atingiu R$ 11,9 bilhões, com crescimento de 23% em comparação a 2024. O lucro somou R$ 287,6 milhões, ante R$ 290,4 milhões no ano anterior. “O projeto trouxe resultados sólidos, mas precisamos sustentar a evolução da companhia em regiões com grande potencial de negócio”, disse.
Os recursos antes destinados ao patrocínio serão redirecionados para iniciativas com maior capilaridade nas áreas de esporte, cultura e sustentabilidade, espalhados por outros Estados além de São Paulo, que hoje concentra a maior parte dos investimentos em marca. A decisão de interromper o contrato não afetará as demais arenas do Grupo Allianz em outros países, segundo a seguradora.
As iniciativas para crescimento em outros Estados não se resumem apenas ao marketing, segundo o presidente da Allianz. Nos últimos anos, a empresa desenvolveu formas de alcançar corretores — que hoje são um dos principais canais de venda de seguros no país — em regiões como Norte e Nordeste. “Intensificamos as visitas e buscamos entender as demandas específicas desses locais”, afirmou.
Foi desse jeito que a seguradora descobriu, por exemplo, que no Acre seria importante que o seguro auto tivesse uma extensão de perímetro, que é a cobertura quando o carro sai do país. “Isso era algo oferecido nas apólices no Sul, mas indo até o Acre e conversando com corretores entendemos que, como há deslocamentos frequentes para cidades peruanas, como Puerto Maldonado, essa cobertura era relevante”, disse.
Entre as linhas de negócio, os seguros corporativos responderam pelo maior volume de prêmios em 2025, com R$ 1,7 bilhão emitido, alta de 20%. Em termos percentuais, os maiores avanços vieram dos segmentos de condomínio, que cresceu 45%, para R$ 340 milhões, e rural, com alta de 40%, para R$ 570 milhões.
“Em agro, o ano foi extraordinário com avanço tanto na safra quanto na safrinha, além da ampliação da cobertura para novas culturas como maçã, cebola, mandioca, café e uva. Também buscamos um maior contato com cooperativas e corretores especializados, o que contribuiu para o desempenho”, afirmou Folch.
Ainda neste ano, a empresa pretende ajustar produtos como seguro de vida coletivo e responsabilidade civil para executivos e ampliar o portfólio com seguros de vida voltados ao público de alta renda.
Até 2027, o plano da Allianz é dobrar o faturamento registrado em 2023, de R$ 8,76 bilhões. As metas incluem ainda triplicar o lucro, que foi de R$ 120,6 milhões naquele ano, e alcançar o terceiro lugar no mercado de seguro automóvel. Em 2025, a companhia ficou em quarto lugar no segmento, com o aumento de 22,5% dos prêmios, para R$ 8,5 bilhões.
