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20 de abril de 2026 21:31

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Padre de MT é investigado até pelo Vaticano após denúncia de supostos abusos psicológicos

O padre Vandilson Pereira Sobrinho, da Diocese de Barra do Garças (MT), é alvo de uma denúncia de um ex-seminarista por acusações de violação dos direitos dos fiéis e seminaristas, abuso de poder e de ofício, além de má administração de bens eclesiásticos. O caso foi levado ao Vaticano e as autoridades mato-grossenses como Ministério Público e a Polícia Civil investigam o caso.

Padre Vandilson Pereira sobrinho foi denunciado por constrangimentos e humilhações contra ex-seminarista. – Foto: Reprodução

O inteiro teor da denúncia obtida pelo Primeira Página expõe que o ex-seminarista foi estagiário direto do sacerdote em 2023, quando foi transferido para a diocese e Vandilson era administrador paroquial das paróquias de Ponte Branca e Araguainha, assumindo também a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia, em Ribeirãozinho.

No entanto, pouco tempo depois de ser acolhido, começou a perceber comportamentos descritos como “incomuns e instáveis” por parte do padre. Segundo o documento, o sacerdote fazia correções públicas contra o denunciante e constrangia fiéis em horários de missa e em grupos de WhatsApp.

Além disso, ocorreram outros tipos de abusos durante a convivência, dentre eles:

  • Uso dos mesmos pratos e panelas da casa paroquial para alimentar os cães
  • Deixar alimentos destampados, permitindo contaminação por moscas
  • Forçar o consumo desses alimentos contaminados ou privar de comida
  • Retirar refeições para alimentar os cães, deixando o denunciante sem alimentação
  • Obrigar o denunciante a comer nos mesmos utensílios usados pelos cães
  • Ridicularizar tentativas de higienização dos utensílios com água sanitária
  • Impor isolamento forçado
  • Criar um ambiente de intimidação constante
  • Impedir qualquer manifestação contrária às decisões arbitrárias
  • Batidas de portas e gritos pelo local
  • Sugeriu pagar um ex-acólito para que fizesse massagem em seus pés

O denunciante narra que chegou a levar os fatos às autoridades eclesiais, contudo, os membros do Conselho Pastoral Paroquial pediram que o Bispo não o tirasse da paróquia pois estava “desempenhando um bom trabalho”.

Humilhações e desvio de função

Entre os fatos expostos pelo denunciante, está o incômodo por parte do padre com o barulho do ventilador no quarto do jovem seminarista, além de obrigá-lo a pagar metade da conta de luz da casa paroquial, mesmo utilizando pouca energia e sem ar-condicionado no cômodo.

Entre outras despesas, ele também teria sido obrigado a pagar a bateria de um carro da paróquia, que parou de funcionar porque os cachorros do padre, que andavam no banco do passageiro, acionaram o pisca-alerta, descarregando o equipamento.

denuncia padre
Prints anexados na denúncia pelo seminarista que acusa padre de abusos e constrangimentos. – Foto: Montagem Primeira Página

Gastos excessivos

Segundo a denúncia, a administração financeira da paróquia carecia de transparência, principalmente no que diz respeito à destinação de dízimos, ofertas e valores arrecadados em leilões. De acordo com o documento, os recursos eram depositados em contas bancárias pessoais do sacerdote, sem a devida supervisão da Mitra Diocesana.

Além disso, o padre teria realizado compras consideradas desnecessárias para a paróquia. “No final do ano, comprou um conjunto de bancos de mármore para o presbitério em um valor aproximado de R$ 10 mil, sem consulta ao CAEP, comprometendo o caixa da paróquia”, diz um dos trechos.

Saúde física e mental afetada

O autor da denúncia alega que, a partir da convivência com o padre, passou a fazer uso de ansiolíticos para tratar crises de ansiedade generalizada.

Segundo ele, os maus-tratos afetaram diretamente sua saúde e, por diversas vezes, precisou de atendimento hospitalar por apresentar febre emocional e aumento considerável da pressão arterial, após suportar determinadas situações.

Ao final da denúncia, o seminarista relata que, em 5 de fevereiro de 2025, foi comunicado do seu desligamento por “incompatibilidade pastoral”. Em 15 de setembro do mesmo ano, a denúncia foi encaminhada ao Vaticano. Em novembro, a resposta foi de que o caso estava em análise e sob auditoria.

Acusações e violações

A denúncia ressalta a tipificação de possíveis irregularidades conforme o direito canônico, como abuso espiritual e de consciência, abuso de poder e de ofício, má administração dos bens eclesiásticos, escândalo grave, condutas imprudentes incompatíveis com o estado clerical e violação de direitos fundamentais dos fiéis e do seminarista.

Ao final, o ex-seminarista afirma que foi submetido a práticas degradantes incompatíveis com a dignidade do estado clerical e que o assédio moral e espiritual resultou em consequências clínicas, incluindo crises de ansiedade, internação hospitalar e diagnóstico de ponte miocárdica, tudo comprovado por laudos médicos e testemunhas.

Ele pede que Vandilson Pereira Sobrinho seja afastado imediatamente das funções paroquiais e suspenso do exercício público do ministério, além da publicação de uma nota de retratação e do fornecimento de acompanhamento espiritual e psicológico.

Outro lado

O Primeira Página entrou em contato com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que confirmou a tramitação do processo, mas informou que não pode fornecer detalhes devido ao sigilo.

A Polícia Civil também confirmou que instaurou inquérito na Delegacia de Alto Araguaia para apurar os fatos. Outro procedimento foi aberto, também a pedido do Ministério Público, para investigar denúncias feitas pelo padre contra o autor.

“As investigações estão em andamento, em fase inicial, e seguem sob sigilo”, informou a corporação.

Em nota, a defesa da Diocese de Barra do Garças afirmou que a denúncia contém “imputações graves” e pediu cautela para preservar a verdade, a justiça e a paz.

“Diante da reiteração de imputações e exposições indevidas, já foram adotadas medidas judiciais cabíveis nas esferas criminal e cível, inclusive para apuração de eventuais ilícitos e responsabilização por danos causados. O padre Vandilson permanece à disposição das autoridades competentes para os esclarecimentos necessários”, diz trecho.

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