Em abril de 2026, a arroba do boi gordo em São Paulo gira entre R$ 360 e R$ 365, com negócios próximos de R$ 368 em praças como Barretos e Araçatuba. Não é um pico isolado, mas um movimento consistente, sustentado por oferta curta e exportações firmes.
Essa força contínua ou a sazonalidade começa a pesar? A resposta está no ciclo pecuário.
Em 2025, o abate elevado de fêmeas, acima de 50% em várias regiões, ampliou a oferta no curto prazo, mas reduziu o rebanho. Em 2026, o movimento começa a se inverter. No primeiro trimestre, a participação de fêmeas já recua. Em Mato Grosso, caiu de 54,7% para perto de 51%.
Menos fêmeas hoje significa menos boi amanhã. O ciclo virou.
Essa virada é gradual. Ainda há resquícios de oferta, mas com base cada vez mais ajustada. Esse processo sustenta a expectativa de valorização no médio prazo, com possibilidade de arroba testar R$ 400 até o fim do ano.
No curto prazo, o mercado físico segue firme. Em São Paulo, preços acima de R$ 360 e escalas curtas, ao redor de cinco dias úteis, mantêm pressão sobre os frigoríficos. Exportações sustentam o mercado.
Não há euforia. Há sustentação. É um mercado firme porque falta boi.
O mercado futuro, porém, já indica acomodação. Na B3, abril gira próximo de R$ 362, maio recua para R$ 350, junho para R$ 340 e julho/agosto para R$ 337–338. O mercado antecipa maior oferta, com entrada de confinamento e efeito do inverno sobre as pastagens.
Não é queda. É ajuste.
O clima segue como principal variável. Abril e maio tendem a ser mais secos, limitando o ganho de peso. Entre junho e agosto, irregularidade de chuvas pode antecipar vendas ou exigir suplementação.
O clima pode sustentar o preço, ou acelerar a acomodação.
Ainda assim, o cenário mais provável entre abril e agosto é de estabilidade em patamar elevado. Abril e maio devem manter a arroba entre R$ 355 e R$ 370, com picos pontuais. De junho em diante, pode haver ajuste, mas sem perda estrutural.
A faixa mais consistente para o período segue entre R$ 350 e R$ 370, com sustentação mesmo diante da sazonalidade.
Não é queda de mercado. É ajuste dentro de um ciclo de alta.
No cenário mais otimista, com clima adverso e exportação firme, os preços podem se manter acima de R$ 360. No cenário mais pressionado, não se descarta teste de R$ 330 a R$ 340, mas com dificuldade de quedas mais profundas.
O pano de fundo segue sendo de oferta restrita.
O momento é de gestão. Quem tem boi pronto encontra boas oportunidades. Quem está na reposição ou no confinamento precisa atenção aos custos, especialmente com bezerro valorizado e alimentação cara.
Proteger margens, diluir vendas e acompanhar escalas, clima e exportações.
O ciclo virou a favor do pecuarista. Mas o resultado depende da gestão.
O boi está caro hoje, e tende a continuar valorizado. O desafio não é acertar o topo, é preservar a margem no caminho.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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