A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (24). Um agente do governo norte-americano, que teve as credenciais retiradas pela Polícia Federal, já deixou o Brasil após a medida adotada pelo governo brasileiro.
A decisão foi tomada com base no princípio da reciprocidade, em resposta ao caso envolvendo o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que foi obrigado a deixar os Estados Unidos após ser acusado de tentar “manipular” o sistema de imigração americano.
O agente norte-americano, identificado como Michael Myers, atuava no Brasil em cooperação com a Polícia Federal e uma de suas funções era monitorar atividades do grupo extremista libanês Hezbollah em território brasileiro.
Segundo informações divulgadas pelo portal Poder360, o retorno de Myers aos Estados Unidos ocorreu na última quarta-feira (22), após o Itamaraty e a Polícia Federal restringirem seu acesso às dependências e aos sistemas da corporação.
Apesar da medida, o governo brasileiro afirma que não houve expulsão formal.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que retirou “com pesar” as credenciais do servidor americano, reforçando que a ação não configura expulsão, assim como, segundo ele, Marcelo Ivo também não teria sido oficialmente expulso dos EUA.
Já o Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, para prestar esclarecimentos sobre a decisão americana.
Nos bastidores, a reação do governo brasileiro não é unânime. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende uma resposta firme e fala em revide, o vice-presidente Geraldo Alckmin prega cautela e aguarda novos desdobramentos.
O episódio aumenta a tensão diplomática entre os dois países e pode impactar a cooperação bilateral em áreas de segurança e imigração.
