25/04/2026

25 de abril de 2026 10:14

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Companhias aéreas monitoram crise do petróleo, elevam preço e ajustam malha | Empresas

As aéreas monitoram de perto sua operação diante da disparada do petróleo e das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Apenas em março, o reajuste nas passagens chegou perto de 20%, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Apesar do voo mais caro, o setor, por enquanto, não fez movimentos bruscos de redução de oferta, segundo participantes do mercado.

Conforme mostrou o Valor na sexta-feira (24), a Petrobras deverá repassar aos seus clientes um reajuste de 18% no preço do QAV a partir de 1º de maio, disseram fontes.

Por política, a Petrobras sempre divulga seus novos preços para o QAV no fim de cada mês, com validade a partir do dia 1º do mês seguinte. O preço leva em conta as oscilações entre o dia 24 do mês anterior e o dia 23 do mês corrente.

O tamanho do reajuste foi comunicado aos clientes pelas distribuidoras, que recebem esse dado de forma antecipada.

Essa é a terceira alta seguida para o combustível pela Petrobras. Em março, o ajuste foi de 9,4%. Em abril, o maior salto, foi de 54%.

Segundo fontes, considerando os últimos três reajustes, a estatal vai elevar o preço do combustível de aviação em 99%, repassando assim toda a volatilidade que o derivado do petróleo sofreu internacionalmente. Fora do Brasil, o querosene de aviação subiu de US$ 2/galão, para cerca de US$ 4.

No início de abril, a Petrobras chegou a anunciar uma proposta de parcelamento do reajuste aos distribuidores como uma forma de ajudar o setor aéreo a atravessar a crise.

Fontes destacaram, entretanto, que o parcelamento acabou não tendo a adesão do setor aéreo. As taxas cobradas foram consideradas elevadas — na casa de 16% ao ano, acima da Selic.

Na outra ponta, fontes destacaram que as distribuidoras acabaram não se engajando com o parcelamento. Isso porque seriam elas as responsáveis pelo pagamento à petroleira diante de uma eventual inadimplência de alguma das aéreas. Dessa forma, em muitos casos, essas distribuidoras passaram a exigir garantias para liberar o parcelamento.

Procurada, a Petrobras disse que, considerando que as relações contratuais são regidas por sigilo comercial e o cenário atual é de extrema volatilidade, não pode antecipar decisões sobre manutenção ou reajustes de preços.

A estatal não se manifestou sobre a dificuldade do setor de ter acesso ao parcelamento.

Apesar da alta do preço, participantes do mercado destacaram que as aéreas estão cautelosas na redução da oferta de voos.

Em entrevista recente ao Valor, o CEO da CVC, Fabio Mader, disse que aéreas, por enquanto, não mudaram a previsão de oferta para este ano. A estimativa é de crescimento de 11,4% entre abril e novembro na disponibilidade de assentos contra o ano passado.

Fontes do setor destacaram que, para a temporada de férias, as empresas estão evitando ajustes bruscos na oferta.

Segundo dados da Anac, o preço pago pelo passageiro para voar um quilômetro (o chamado yield) subiu 19,4% em março na comparação com igual mês do ano passado, para R$ 0,5549. Já a tarifa média subiu 17,8% em março, para R$ 707,16. Todos os dados foram corrigidos pela inflação até março.

O chamado yield acaba sendo um indicador mais fiel para medir a variação dos preços das passagens uma vez que ele normaliza eventuais mudanças de rotas por parte das companhias aéreas de um ano para o ano outro.

Em paralelo, o setor aéreo brasileiro movimentou um total de 10,6 milhões de passageiros em março, crescimento de 3,1% na comparação anual, também conforme a Anac. Os dois levantamentos mostram que o setor acabou mantendo a demanda mesmo diante do impacto da crise do Oriente Médio sobre o petróleo. As subidas de tarifa e seus eventuais efeitos sobre a demanda devem chegar com mais força no segundo trimestre.

O governo anunciou alguns mecanismos para tentar ajudar. Em abril, publicou um decreto que reduz a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o QAV. A medida tem vigência até 31 de maio.

A crise joga um balde de água fria no setor em um ano que deveria marcar a retomada dos negócios após movimentos profundos de reestruturação. Desde 2020, Latam, Gol e Azul entraram no “Chapter 11” (recuperação judicial nos EUA) como forma de organizar suas finanças.

— Foto: Pixabay

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