Se poucos tem a sorte de ficar cara a cara com uma onça prendando um jacaré no Pantanal mato-grossense, ver uma família de tuiuius no ninho e ainda presenciar uma das maiores cobras das Américas descansar a beira do rio, o guia de turismo Redouane Lachgar, de 32 anos, mais conhecido como “Marroquino”, pode se dizer um verdadeiro sortudo.
Nascido no Marrocos, Redouane deixou a família no país de origem e migrou sozinho para o Brasil há cerca de 8 anos. Já passou por muitas profissões: frentista em posto de gasolina, padeiro, recepcionista de hotel, cozinheiro em restaurante. Contudo, foi em Cuiabá que se encontrou, especificamente após fazer curso de turismo e conseguir sua carteira de guia.
Desde então, atua na área do turismo há 4 anos, onde trabalha no Pantanal há cerca de um ano, descobrindo a paixão pela fotografia de vida selvagem em Porto Jofre. Ao Primeira Página, ele conta um pouco sobre sua vida e os flagrantes animais que registrou.
Segundo Redouane, quando vivia no Marrocos fez graduação em Economia, contudo não se sentiu satisfeito com o curso. A vontade ir para os Estados Unidos o fez migrar inicialmente para o Brasil, onde, posteriormente, faria outra viagem. Porém, mudou de planos e decidiu ficar em Cuiabá.
“Eu acabei me apaixonando pelo Brasil e fiquei aqui. Eu me sinto muito bem trabalhando no Pantanal com pessoas de fora e observando a vida selvagem de pantanal, aprendendo a cada dia”, explica.
De acordo com o guia, a alta temporada começa em junho e até outubro fica totalmente focado somente nas viagens e passeios no Pantanal, trabalhando com agências que vendem pacotes.
Fora da temporada, trabalha com passeios para Chapada dos Guimarães, Vila Bela da Santíssima Trindade, Barra do Garças e outros lugares para fazer trilhas e conhecer as belezas do estado.
De acordo com Redouane, a maioria dos visitantes que buscam conhecer o Pantanal são pessoas vindas de outros estados do Brasil, mas principalmente de outros países.
Apesar de não ter família no Brasil, já tinha alguns amigos, e embora a adaptação tenha sido difícil no começo, aos poucos conseguiu se acostumar com o idioma e costumes. “Eu gosto daqui e eu estou planejando morar para sempre”, conta.
Flagrantes da vida selvagem
Dentre as fotografias e filmagens que registra no seu cotidiano no trabalho em meio a natureza, Redouane compartilha imagens que chamam atenção pela tranquilidade dos animais em seu habitat natural, mas também, a luta pela sobrevivência, com flagrantes de tirar o fôlego.
Um dos registros mais impressionantes mostra uma onça-pintada predando um jacaré, na beira do rio. O felino consegue retirar o réptil das águas e escalar por um tronco de árvore até a superfície.
Em outro registro, uma família de tuiuius aparece no ninho em um fim de tarde com os filhotes no ninho.
Outra imagem, é de um tucano destruindo o ninho do pássaro João-de-Barro para acessar os ovos. Apesar de se alimentar de frutas e sementes, o tucano também come ovos de outras aves, insetos, pequenos vertebrados como lagartos e rãs, e pode até mesmo comer filhotes de outros pássaros.
Uma de suas postagens mais recentes, ele capta o momento em que uma iguana-verde come flores no topo da árvore. “Herbívora, excelente escaladora e passa a maior parte da vida nas árvores. Ela se alimenta de folhas, frutas e flores, ajudando até na dispersão de sementes”, escreve.
Vida no Mato Grosso
Para Redouane, o que mais gosta no trabalho e é sua motivação são os animais e o contato com a natureza.
“Isso me faz eu me sentir bem melhor. Gosto também de me movimentar, não gosto de ficar parado. Conhecer muitas pessoas diferentes, conversar, aprender. No Pantanal a maioria dos clientes são pessoas de idade e com eles eu aprendi muitas coisas”, descreve.
O guia conta que entre os motivos que o fazem gostar do Pantanal e que mensagem gostaria de deixar às pessoas sobre a maior planície alagada do mundo, daria para escrever um livro, mas tenta resumir.
“O Pantanal é um tesouro vivo do Brasil e precisa da nossa proteção e cuidado. Preservar a suas águas e vidas é garantir o futuro. No estado do Mato Grosso a natureza encanta em cada canto, temos que conhecer, valorizar e cuidar”, conclui.
Peão relata convivência com onça-pintada no Pantanal: “Acompanho a rotina dela e ela a minha”
O que aconteceu com Leonardo? Cantor aparece com olho roxo após pescaria no Pantanal
Incêndio no Pantanal do Nabileque mobiliza bombeiros e voluntários há 2 dias
Em imersão no Pantanal, produtores europeus aprendem mais sobre queijos de MT
Fofura: animais do Pantanal mato-grossense interagem com armadilha fotográfica
Pecuária sustentável no Pantanal ajuda no bolso do produtor
