28/04/2026

28 de abril de 2026 23:07

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O campo acumula dívidas e ascende como ponto relevante na disputa eleitoral

Foto: Pixabay

Enquanto os produtores enfrentam uma “tempestade perfeita” com financiamentos elevados e commodities em queda, o campo político entra em cena para angariar apoio para as eleições de outubro.

O agronegócio responde por 25% do PIB brasileiro e quase metade das exportações nacionais, no entanto, sofre com o crescente endividamento e outros problemas estruturais ao longo dos últimos anos. É claro que, em ano de eleição, essas questões começam a ser capitalizadas em uma batalha eleitoral.

Um momento emblemático dessa disputa aconteceu recentemente em Ribeirão Preto, na abertura da 31ª edição da Agrishow. O vice-presidente Geraldo Alckmin subiu ao palco para representar o governo federal, anunciou R$ 10 bilhões em crédito para máquinas agrícolas e prometeu avanços no seguro rural e na renegociação de dívidas para inadimplentes e adimplentes.

Do outro lado, representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o secretário de Agricultura de São Paulo demonstram insatisfação com a lentidão para avançar com propostas concretas. Alguns nomearam o dia como “não anúncio”, alusão ao fato de que o Move Agrícola chegou sem detalhamento suficiente sobre a taxa de juros e os prazos.

O presidente Lula não compareceu ao evento, ausência que pode ser relacionada ao histórico de rusgas entre a organização e o governo federal nos anos anteriores. Com isso, deixou espaço livre para os opositores, que já possuem maior aceitação no meio.

O secretário de São Paulo, Geraldo Melo Filho, foi direto ao tecer críticas e apontar que o produtor opera com margem mínima, quando não negativa, e que os juros cobrados “beiram a extorsão”. Sua conclusão mais grave aponta para uma espécie de reforma agrária silenciosa e às avessas, por expulsão financeira, onde os produtores endividados poderiam perder suas propriedades para bancos e credores.

Esse quadro chega com força total para o cenário das eleições. Afinal, o agro não é apenas um setor econômico, é representativo de um eleitorado forte.

Concentrado justamente onde Lula tem maior dificuldade de conquistar votos, esse público possui poder econômico e capacidade de mobilização, além de historicamente estar distante do PT.

Enquanto o Executivo busca equacionar um caminho entre as demandas, a FPA tem pressionado dentro do Congresso o avanço de pautas vistas como esforço concreto para apaziguar o cenário dos produtores.

PL 5122/2023 propõe o uso do Fundo Social para criar uma linha de crédito emergencial de renegociação de dívidas rurais, com potencial de mobilizar cerca de R$ 30 bilhões. Nas reuniões da frente, esse valor já é tido como insuficiente, mas representaria um primeiro alento para produtores em dificuldade.

O PL 2951/2024, por sua vez, atualiza o marco do seguro rural com a criação de um fundo de catástrofes e tramita em regime de urgência na Câmara.

Para a questão do crédito, os PLs 2564/2025 e 205/2025, buscam garantir o devido processo legal antes de qualquer bloqueio por razões ambientais, preservando o combate ao desmatamento ilegal sem punir quem está regular, já que se tem levantado bastante o debate acerca das resoluções do Conselho Monetário Nacional, que passaram a condicionar o crédito rural à consulta ao sistema Prodes de monitoramento de desmatamento.

Fato é que a crise de endividamento rural não será um problema que se resolverá com os discursos na disputa eleitoral. Exige medidas estruturantes, crédito com juros compatíveis, seguro rural com cobertura real e renegociação de dívidas com regras claras. Mas, em meio ao ano eleitoral, o agronegócio se torna um campo de batalha política relevante e elevará as discussões acerca do tema.

Fernanda César, cosultora da BMJ

*Fernanda César é gerente de Análise Política Federal e de Bens de Consumo. Atua desde 2017 na BMJ Consultores Associados. É bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduada em Direito e Relações Governamentais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).


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