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12 de maio de 2026 19:43

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Queijo produzido em Sorriso com leite de vacas que ouvem música clássica conquista prêmio internacional

No sítio Via Láctea, localizado no assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, a rotina das vacas inclui música clássica durante a ordenha, brinquedos e escovas instaladas nos currais para garantir conforto e bem-estar. O cuidado adotado pela produtora e queijeira Rita Hachiya, de 42 anos, tem refletido diretamente na qualidade do leite e rendeu reconhecimento internacional: dois queijos produzidos na propriedade conquistaram medalhas no Mundial do Queijo, realizado neste mês em São Paulo, com participação de produtores de mais de 20 países.

O grande destaque foi o queijo Véu Azul, criação autoral da queijaria, premiado com medalha de ouro. O produto possui massa filada, maturação de 30 dias, interior cremoso e casca florida com mofo azul. Já o tradicional queijo cabacinha garantiu a medalha de bronze.

A propriedade conta com um rebanho de 12 vacas da raça Jersey e, desde o fim de 2023, tornou-se totalmente voltada à produção de leite A2A2, conhecido por facilitar a digestão e reduzir desconfortos gastrointestinais em pessoas sensíveis à proteína presente no leite convencional.

Responsável sozinha por toda a produção, Rita comemorou o reconhecimento internacional.

“Estou super feliz com esse reconhecimento. Trabalhar com leite e queijo é uma tarefa difícil, principalmente fazendo tudo sozinha. Essa conquista me motiva a continuar e também inspira outras mulheres a persistirem nessa profissão”, afirmou.

De agente sanitária à queijeira premiada

Antes de se tornar produtora rural, Rita atuava como agente sanitária na comunidade. A mudança começou em 2009, quando conheceu o veterinário Evandro José de Carvalho, hoje seu marido, e iniciou a criação leiteira com apenas quatro vacas.

“Eu nunca tinha trabalhado com isso, nem sequer tinha visto uma vaca de perto. Tirava leite de manhã, ia trabalhar e voltava para tirar leite novamente”, relembra.

A virada aconteceu quando decidiu investir na fabricação de queijos para agregar valor à produção. Em 2014, a propriedade conquistou certificação de livre de brucelose e tuberculose, tornando-se a primeira do estado a alcançar esse reconhecimento.

No ano seguinte, Rita passou a comercializar seus produtos no mercado local e iniciou uma trajetória de inovação que culminou na criação do queijo Poranga, primeiro produto autoral da queijaria com selo Arte, autorização que permite comercialização em todo o território nacional.

Reconhecimento nacional e internacional

A participação em concursos abriu novos horizontes para a produtora. Após experiências em competições em Minas Gerais, Santa Catarina e Cuiabá, Rita acumulou diversas medalhas.

No ano passado, o queijo Poranga conquistou ouro em uma competição estadual, enquanto o Azul da Via Láctea levou prata e o cabacinha, bronze.

Agora, com a premiação no Mundial do Queijo, a queijeira consolida o nome de Sorriso no cenário nacional e internacional da produção artesanal. “Descobri um universo novo através do queijo. Hoje tenho certeza de que nasci para isso. As vacas e o queijo mudaram a minha vida”, resume Rita.

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