Cuba anunciará novos preços variáveis para combustíveis nos postos a partir de 15 de maio para refletir melhor os custos “reais” de importação de gasolina e diesel, informou nesta terça-feira (12) o Ministério de Finanças e Preços. A medida ocorre em meio ao bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos, que tem pressionado a oferta dos produtos na ilha.
O anúncio ocorre após duas semanas em que os combustíveis praticamente desapareceram dos postos estatais em Havana. A escassez forçou a maioria dos cubanos a deixar estacionados os poucos veículos movidos a gasolina ainda em circulação, quatro meses após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a qualquer país que exportasse combustível para Cuba, efetivamente cercando economicamente Havana.
O governo cubano afirmou que algumas alternativas de importação de combustível ainda existem apesar das medidas de Trump, mas os novos preços devem variar de acordo com o fornecedor, custos de transporte, rotas, seguros, riscos associados e oscilações nos mercados internacionais. Os preços serão divulgados publicamente e poderão ser alterados de um posto para outro, informou o comunicado.
“O processo gradual de transformações sociais e econômicas que Cuba vem realizando (…) permitiu que múltiplos atores possam importar e comercializar combustíveis em moeda estrangeira”, afirmou o governo.
O governo cubano anunciou em fevereiro medidas permitindo que agentes privados importem combustível independentemente do Estado. Mas o Ministério de Finanças e Preços não especificou quem está importando o combustível nem como ele está chegando à ilha.
Nem México nem Venezuela, antes principais fornecedores de petróleo para Cuba, enviaram combustível para a ilha desde a ordem executiva assinada por Trump em janeiro de 2026 impondo o bloqueio.
Fornecedores americanos haviam enviado até o fim de março mais de 30 mil barris de combustível em navios porta-contêineres para empresas privadas cubanas, informou a Reuters com exclusividade, dentro de uma exceção criada pelos EUA para favorecer o setor privado em relação ao setor estatal comunista.
Mas, segundo o Departamento de Estado dos EUA, esse combustível está estritamente destinado ao uso de empresas privadas.
O preço do litro da gasolina premium havia sido fixado anteriormente em US$ 1,30, enquanto o litro do diesel era vendido a US$ 1,10. Ambos os combustíveis vêm sendo disponibilizados apenas em pequenas quantidades e sob forte racionamento desde janeiro.
Enquanto isso, os preços no mercado paralelo dispararam para entre US$ 8 e US$ 10 por litro de gasolina, valores muito acima do alcance da maioria dos cubanos e muito superiores aos níveis do mercado internacional.
Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmaram na semana passada que o bloqueio de combustível imposto por Trump é ilegal, dizendo que ele prejudicou “o direito do povo cubano ao desenvolvimento, além de comprometer seus direitos à alimentação, educação, saúde, água e saneamento”.
Também nesta terça-feira, Trump afirmou que Cuba está pedindo ajuda e que “vamos conversar”, sem fornecer mais informações sobre os planos dos EUA.
“Nenhum republicano jamais falou comigo sobre Cuba, que é um país fracassado e só está indo em uma direção — para baixo! Cuba está pedindo ajuda, e nós vamos conversar!!! Enquanto isso, estou indo para a China!”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
O presidente americano se recusou, porém, a fornecer mais detalhes ao falar com jornalistas na Casa Branca antes de partir para viagem à China. “Cuba não está indo bem. É uma nação fracassada, e vamos falar sobre Cuba no momento certo”, disse.
Questionado sobre as negociações planejadas, um funcionário da Casa Branca não deu detalhes além das declarações de Trump, mas afirmou: “Em pouco tempo eles vão cair, e estaremos lá para ajudá-los.”
Representantes do Departamento de Estado dos EUA e do governo cubano também não responderam.
Trump viaja para se reunir com o presidente chinês Xi Jinping. A China pediu que os Estados Unidos encerrem imediatamente o embargo e as sanções contra Cuba. Trump disse a jornalistas na Casa Branca que espera ter uma boa reunião com Xi.
