O Atlético-MG vem pagando os maiores valores por segurança privada entre os clubes com estádios próprios no Campeonato Brasileiro. Segundo dados levantados pela reportagem da ESPN nos borderôs das partidas, o Galo registrou cifras até 457% maiores em jogos com públicos semelhantes. O clube mineiro questionou o método da comparação (leia mais abaixo).
Em sete jogos do Atlético na Arena MRV, a reportagem encontrou pagamentos por segurança entre R$ 139 mil e R$ 313 mil. Fazendo a média pelo público presente, o custo chegou até a R$ 13,72 pagos por cada torcedor no estádio, o maior valor em todo o Brasileirão.
O custo de quase R$ 14 em segurança por torcedor presente foi registrado na partida contra o Internacional, jogo que registrou o menor público da história da Arena MRV com 10.132 torcedores. A renda total da partida foi de 454.202,85, o que indica que 30% desse valor foi destinado apenas ao pagamento da segurança privada.
A título de comparação, a partida entre São Paulo x Bahia, no Morumbis, teve um público de 15.135 torcedores e um gasto com segurança privada de R$ 30.365, cerca de R$ 2 por torcedor. Enquanto a Arena MRV pode receber até 44.414 torcedores, o Morumbis tem capacidade total de 66.795 presentes.
Em jogos com grandes públicos, a diferença também é grande. O maior público registrado no Campeonato Brasileiro em um estádio privado nesta temporada foi no clássico entre São Paulo x Palmeiras, também no Morumbis e com torcida única, que contou com 54.058 presentes e teve um custo com segurança privada de R$ 136.871,00.
Já o maior público presente na Arena MRV no Brasileiro foi na vitória do Atlético sobre o São Paulo. Na ocasião, 36.839 torcedores compareceram ao estádio, e a partida teve um custo de R$ 215.990,23 apenas com segurança privada. Ainda neste comparativo, o valor gasto com segurança no menor público da história da Arena MRV é maior do que o valor gasto no maior público em um estádio privado.
Dados no Mineiro também chamam atenção
Considerando os clássicos mineiros, mais uma vez os dados têm boa diferença. O maior público do ano na Arena MRV foi a partida contra o Cruzeiro, na primeira fase do Campeonato Mineiro. O jogo marcou a volta da torcida dividida nos duelos, com 10% de cruzeirenses e, como de costume em jogos de grande rivalidade, teve a segurança reforçada. Foram 39.332 presentes e gasto de R$ 328.566,65 com segurança.
Na final do Estadual, que teve mando da Federação Mineira de Futebol (FMF) e um esquema de segurança especial devido a volta do público meio a meio, foram gastos R$282.684,16 com o serviço para um público de 49.675 torcedores. A capacidade do estádio é de 62 mil torcedores. Em todos os cenários, o Atlético gasta muito mais com segurança privada, para um público muito menor.
Arrecadação supera capital inicial de empresa de segurança
A segurança da Arena MRV é feita pela empresa WL Segurança, cujo proprietário, Wanderson Fabiano, foi acusado de agredir torcedores que se manifestaram contra a família Menin (que tem donos da SAF do Galo) na derrota por 4 a 0 contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro.
De acordo com dados públicos, a empresa foi aberta em 2015 com um investimento inicial de R$ 850 mil. Pelo levantamento feito, em apenas quatro grandes jogos nesta temporada, o investimento feito já foi superado pela arrecadação bruta em jogos do Atlético.
Em Minas Gerais, de acordo com a convenção coletiva, um segurança privado recebe cerca de R$ 202,00. Já em São Paulo, esse valor gira em torno de R$ 160.
Outro lado
A ESPN ouviu tanto a WL Segurança, quanto o Atlético sobre o tema. O clube questionou o critério de comparação com outros estádios, enquanto a empresa também listou outros fatores que têm influência nas cifras que são pagas pelo Galo.
Posição do Atlético-MG na íntegra
Não corresponde à realidade a informação de que o Atlético paga muito mais do que outros clubes em operações de segurança. Comparações feitas a partir de borderôs não refletem, necessariamente, a realidade de cada estádio e de cada operação, já que não existe um padrão único de lançamento dessas despesas entre os clubes. Em muitos casos, determinados custos operacionais sequer são registrados nos borderôs de forma semelhante.
Cada estádio possui características operacionais próprias, especialmente em relação aos acessos, à circulação interna e aos fluxos de entrada e saída de público.
Na Arena MRV, a segurança é tratada como prioridade absoluta, com foco na proteção de torcedores, colaboradores e todos os envolvidos nos eventos. O planejamento operacional é definido com base em critérios técnicos e em alinhamento permanente com os órgãos competentes, sempre buscando garantir uma experiência segura, organizada e eficiente ao público.
O efetivo de segurança e o nível de investimento operacional variam de acordo com as demandas específicas de cada partida, considerando fatores como público esperado, perfil do jogo e protocolos estabelecidos pelas autoridades.
Além disso, o Atlético passou a adotar protocolos ainda mais rigorosos após os episódios registrados na final da Copa do Brasil de 2024, quando a Arena MRV chegou a ser interditada. Desde então, o Clube vem realizando uma série de intervenções e melhorias estruturais que permitirão, gradativamente, reduzir o quantitativo de profissionais de segurança, sem comprometer os padrões de proteção e organização exigidos para os eventos.
A Arena MRV é motivo de orgulho para o Atlético por representar um marco histórico no futebol brasileiro: é o único estádio do país construído com recursos próprios de um clube, resultado da força, do empenho e da paixão da Massa Atleticana.
Mesmo com o elevado investimento em segurança, operação e tecnologia, a margem de resultado da Arena MRV permanece significativamente superior àquela obtida pelo Clube nos períodos em que mandava seus jogos no Mineirão, reforçando a importância estratégica do estádio para a sustentabilidade e o crescimento do Atlético.
Além disso, a Arena MRV vem se consolidando como referência nacional em segurança, tecnologia, organização e operação de eventos. Clubes, delegações e profissionais que visitam o estádio frequentemente destacam o alto padrão da estrutura e da experiência oferecida, reconhecendo a excelência alcançada pelo Galo em sua casa.
Posição da WL segurança na íntegra
Os custos da Segurança Privada são altos no Brasil, pois que observam a legislação trabalhista, as Convenções Coletivas da Classe, os impostos incidentes, bem como todas as determinações do ESTATUTO DO TORCEDOR – ESTATUTO DA SEGURANÇA PÚBLICA, e ainda, as determinações da CBF, SULAMERICANA e FEDERAÇÃO MINERIA DE FUTEBOL.
Além disto, a composição de preços do setor envolve diversos fatores técnicos, operacionais e legais, que variam conforme a complexidade de cada operação, o perfil do evento, o risco envolvido, a capacidade do estádio, os protocolos exigidos pelos órgãos públicos e as obrigações previstas na legislação trabalhista e tributária vigente.
Certamente, a comparação utilizada não observou a diferença entre um jogo e outro.
Os valores praticados pelas empresas regulares do segmento são impactados diretamente pelas Convenções Coletivas de Trabalho da categoria profissional de vigilância e segurança privada, firmadas entre sindicatos patronais e laborais, que estabelecem pisos salariais, adicionais legais, benefícios obrigatórios, encargos sociais, horas extras, adicional noturno, seguro de vida, vale-alimentação, assistência médica, reciclagens obrigatórias e demais custos previstos na legislação trabalhista.
Além disso, incidem sobre a operação tributos, encargos previdenciários, custos administrativos, logística operacional, treinamentos específicos para grandes eventos, sistemas de controle e supervisão, além das exigências regulatórias da Polícia Federal para atuação de empresas autorizadas de segurança privada.
É importante destacar que comparações exclusivamente pelo BORDERÔ não podem refletir equivalência técnica entre operações. Valores significativamente inferiores aos parâmetros médios de mercado podem indicar estruturas operacionais distintas ou até situações de informalidade e clandestinidade, sem observância integral das exigências legais, trabalhistas e regulatórias aplicáveis ao setor.
Quanto às informações específicas relacionadas a contratos, quantitativos operacionais, condições comerciais, vigência contratual e valores eventualmente pactuados com clientes, esclarecemos que tais dados estão protegidos por cláusulas de confidencialidade e sigilo contratual, bem como pela LGPD, razão pela qual não podem ser divulgados publicamente sem autorização das partes envolvidas.
Enfim, a segurança nos estádios compreende tudo que o Estatuto do Torcedor e as forças de segurança determinam, bem como o PLANO DE SEGURANÇA especifico de cada Estádio, sendo que estas informações também são sigilosas.
Por fim, reforçamos que todas as operações conduzidas pela empresa seguem rigorosamente as normas legais e regulatórias do setor de segurança privada, priorizando a segurança do público, dos colaboradores e do patrimônio envolvido nos eventos.