A LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) controlada cresceu 3.345% entre julho de 2025 e abril de 2026 no Plano Safra 2025/2026. As contratações via instrumento cresceram saltaram de R$ 808 milhões para R$ 27,8 bilhões no período, segundo o boletim de crédito rural empresarial divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
O avanço da LCA controlada ocorre em meio ao crescimento dos instrumentos privados de financiamento do agro e ao recuo das linhas tradicionais de crédito rural. No período, o crédito rural empresarial totalizou R$ 391,2 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.
Outro destaque foi a CPR (Cédula de Produto Rural), que avançou 10% e atingiu R$ 167 bilhões em operações. O instrumento passou a responder por 43% de todo o crédito concedido no Plano Safra 2025/2026, acima dos 37% registrados na safra passada.
Na avaliação do ministério, o movimento mostra uma migração dos produtores e das tradings para instrumentos de mercado diante dos juros elevados, do maior custo das linhas tradicionais e das restrições associadas ao crédito convencional.
Somando o custeio tradicional às operações de CPR, o financiamento voltado diretamente à produção agropecuária alcançou R$ 292,6 bilhões no período, com queda mais moderada, de 1,6%.
Enquanto os instrumentos privados ganharam espaço, as linhas tradicionais de investimento perderam força. O crédito para investimento caiu 29%, passando de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões.
Segundo o Mapa, todos os programas de investimento registraram retração, com destaque para:
- Prodecoop: queda de 57%;
- Proirriga: retração de 56%;
- Moderfrota: recuo de 54%.
O crédito destinado à industrialização foi uma das exceções positivas da safra. Os desembolsos para o segmento cresceram 66%, passando de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões.
O custeio rural permaneceu como principal finalidade do crédito, com R$ 125,6 bilhões contratados, apesar da queda de 14% na comparação anual.
O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), voltado aos médios produtores, registrou crescimento de 3% e alcançou R$ 52,1 bilhões.
Na divisão regional, o Sul liderou as contratações de crédito rural, com R$ 65,9 bilhões, seguido pelo Sudeste, com R$ 64,7 bilhões, e pelo Centro-Oeste, com R$ 62,5 bilhões. O Nordeste apresentou a maior retração, com queda de 29%.
Além da LCA controlada, a Poupança Rural Livre cresceu 38% e atingiu R$ 50 bilhões, enquanto os Recursos Obrigatórios avançaram 30%. Já a LCA livre recuou 35%.
Segundo o ministério, a perspectiva de queda da taxa Selic até o fim de 2026 pode reduzir o custo do crédito rural e favorecer uma retomada gradual das linhas tradicionais de financiamento na próxima safra.