A cena de Cafu com a taça da Copa do Mundo nas mãos é marcante. No dia 30 de junho de 2002, o então lateral-direito da Roma ergueu o troféu para coroar o último ato do pentacampeonato da Seleção Brasileira. Mal sabiam aqueles que assistiam ao vivo que aquela seria a última vez.
Há 24 anos em busca do hexa, o Brasil terá uma nova chance de acabar com o jejum em 2026, sob o comando de Carlo Ancelotti, nos Estados Unidos. Sempre confiante, Cafu disse acreditar no sucesso da Seleção, apontou quem tem o perfil para ser seu sucessor como capitão do time e também abordou o assunto Neymar.
O ex-lateral-direito falou com exclusividade à ESPN para o documentário “Reboot Seleção – Do Quadrado Mágico ao Mister Ancelotti”, série em dois capítulos que conta a trajetória do Brasil entre as Copas de 2006 e 2006. O especial vai ao ar no Disney+ neste sábado (23) e reúne depoimentos de ex-jogadores, técnicos e jornalistas.
“Eu sei o que o Brasil pode fazer quando se trata de Copa do Mundo. O Brasil é pentacampeão do mundo. Essa camisa amarela, quando entra em campo, os caras respeitam, sabem que se não respeitar, vão ser derrotados”, falou o eterno capitão do penta, que participou de quatro Copas.
Reserva de Jorginho no tetra em 1994, Cafu foi titular nas campanhas de 1998 (que acabou com vice), 2002 (campeão novamente) e 2006 (eliminado para a França nas quartas de final). Fez parte de uma geração de craques, com nomes de peso como Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.
O excesso de grandes companhias faz Cafu traçar um paralelo com a situação de Neymar, praticamente oposta, de ser o único protagonista da Seleção Brasileira praticamente desde que surgiu, em 2010. O ex-lateral disse até que isso foi assunto com um dos companheiros do penta.
“Falei para o Roberto Carlos: ‘Que pena que esse menino está sozinho'”, admitiu Cafu. “Ele ficou 15 anos com a obrigação de fazer tudo, e sozinho não adianta. Quando se fala de Seleção, você tem que dividir as responsabilidades. Em 2002 não repetimos o melhor em campo nenhuma vez. Se o Neymar tivesse o suporte que tivemos em 2002, ele não precisaria ser o melhor em campo sempre. Infelizmente, nós tivemos o Neymar sozinho por muito tempo e jogamos tudo em cima dele”.
Ainda sem saber se será convocado para 2026, Neymar teve três chances de ser campeão do mundo com o Brasil. Parou duas vezes nas quartas de final, em 2018 e 2022, além de ir a uma semifinal, a de 2014, que não jogou por ter se machucado na fase anterior.
Independentemente se o craque será chamado ou não por Carlo Ancelotti, Cafu vê outras figuras para liderar a Seleção no próximo Mundial e, quem sabe, serem os capitães que levantarão a taça nos Estados Unidos.
“Vejo o Casemiro e o Marquinhos como bons líderes, a maneira como se posicionam dentro de campo, como falam com o árbitro, a maneira como falam com os jogadores. Vejo esses dois como os dois grandes líderes da Seleção Brasileira hoje”.
O Brasil estreia na Copa no dia 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Para o lateral, a experiência em Copas lhe permite aconselhar os jogadores de Ancelotti, que nunca dirigiu uma seleção no torneio, apesar de ter sido auxiliar da Itália em 1994.
“A distância entre ser campeão e ser eliminado está por um triz. Passou das oitavas, um simples erro e você está fora. Pode errar até a fase de classificação, depois disso um erro você joga o trabalho de quatro anos fora”.
