18/05/2026

18 de maio de 2026 15:13

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OPINIÃO: Ancelotti não deve convocar Neymar para a Copa do Mundo

Antes de listar os meus pontos neste artigo, esclareço: eu jamais o escreveria por iniciativa própria. Muito porque não suporto mais o tema. Mas também porque considero meus argumentos quase óbvios – e porque fãs incondicionais de Neymar costumam ser um tanto cansativos nas redes sociais.

Como, porém, a proposta feita pelos editores do ESPN.com.br foi a de um saudável debate, com a publicação de dois textos antagônicos, topei a ideia – mesmo que informações recentes, de gente bem informada, apontem para a convocação.

Por considerar evidente o motivo principal para que Neymar não seja chamado – o futebol que ele não tem jogado –, começo a argumentação por uma razão secundária.

Mesmo aos 34 anos, quando a maturidade já deveria ter batido à porta, Neymar parece atingir o auge de seu desequilíbrio e da sua intransigência às críticas que lhe são atribuídas desde os tempos do “estamos criando um monstro”, by René Simões.

Nas últimas semanas, Neymar fez falar de si por estapear um colega de time, filho do seu amigo, que ousou driblá-lo em um treino; por bater boca com vários torcedores; por afirmar que um árbitro “estava de chico”; por responder infantilmente – ou fazendo propaganda – a estagiários e jornalistas; e até mesmo por tapar os ouvidos num gesto que poderia servir como síntese de sua personalidade.

Neymar não é um tenista e não precisa da força mental de um Djokovic. Mas esse jogador tão suscetível e destemperado que temos visto nos campos e fora deles parece representar riscos – e não liderança – em um torneio de jogos eliminatórios como a Copa do Mundo.

Do Mundo, e não Sul-Americana. Pois vale destacar: se quisesse exibir suas reais condições em contextos de dificuldade, Neymar poderia ter enfrentado times fortes como Bahia e Palmeiras, fora de casa, pelo Brasileirão. Em vez disso, optou por encarar Recoletas da vida em uma competição de segundo nível, na qual poderia aparecer mais e melhor.

Fica a pergunta, meramente retórica: os raros lampejos do velho Ney que o novo Ney mostrou nesses jogos podem servir de parâmetro e garantia para o que ele conseguirá entregar numa Copa, contra a elite do futebol mundial?

Todos concordamos que, ao avaliar potencial técnico, a atual Seleção Brasileira não conta com ninguém que se aproxime de Neymar. Mas faz sentido botar as fichas nesse potencial que, sem exageros, a gente não vê há pelo menos quatro anos?

A resposta fica ainda mais óbvia se considerados os aspectos táticos: Ancelotti tem demonstrado predileção por um esquema com quatro atacantes no qual a intensidade e a disposição para dar combate são essenciais. Algo que Neymar não costumava fazer nem mesmo em boas condições físicas.

Se tivéssemos hoje o melhor Neymar, faria sentido mudar esquema, buscar alternativas e até mesmo, eventualmente, jogar em torno do craque – porque, sim, o melhor Neymar é dos raríssimos jogadores que justificariam algo assim em tempos de futebol tão físico. Mas o melhor Neymar já não existe.

“Ele pode ficar no banco e entrar nos 20 minutos finais”, argumenta-se. Entendo a argumentação, até porque é inimaginável ver Neymar como titular da Seleção na Copa com sua atual condição. Se Ancelotti o levar, é praticamente certo, será como reserva de luxo. E aqui surgem outros dois questionamentos.

O primeiro: seria lógico abrir mão de jogadores como Endrick ou Rayan, que têm mostrado melhores condições técnicas e físicas, contra adversários bem mais fortes, para convocar o Neymar imaginário que não vemos há quase meia década? A aposta numa espécie de divindade ungida com direito vitalício de vaga na Seleção justificaria abrir mão de quem está jogando mais e melhor?

E por fim, talvez menos importante: faz sentido, para contar com o tal Neymar dos 20 minutos, prolongar a histeria e a pauta única que dominam o noticiário da Seleção há anos? Não seria positivo encerrarmos a cobertura midiática de um popstar para falarmos, enfim, de futebol?

A não convocação de Neymar teria, assim, o efeito de tranquilizar o ambiente, ao passo que sua convocação levaria a pauta até o fim da participação brasileira no Mundial, seja ela como for.

Sim, é claro que se Neymar não for à Copa, ele voltará à pauta tão logo o Brasil seja eliminado. Parças, aspirantes a tal e influenciadores ressurgirão vorazmente para apontar a ausência do antigo craque como causa de todos os males, esquecendo-se que o ciclo vivido com um espetacular Neymar, no seu auge, também não foi vitorioso.

Seriam críticas normais, parte do jogo, e que não parecem um preço absurdo para levar à Copa do Mundo os melhores jogadores, em melhores condições.

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