Na Argentina, os terraços se transformaram em símbolo político e questão de estado. No passado, outros líderes usaram esse tipo de arquitetura para se comunicar com seus apoiadores, como foi o caso de Juan Domingo Perón e Eva Perón, que utilizaram o espaço da Casa Rosada para falar às massas, como na clássica foto dos dois em 17 de outubro de 1950.
Para o historiador argentino, Marcos Novaro, o papel dos terraços na política argentina vai além de um espaço arquitetônico, tratando-se de um instrumento de mediação entre o sistema político e a sociedade. “É bastante óbvio que em políticas populistas como a nossa, a varanda tenha um lugar importante, evidenciando a posição de determinados líderes que mantêm um contato privilegiado com as massas. Em distintas versões na história, a varanda sempre teve grande importância na Argentina”, explicou.
Ele salienta, no entanto, que o fenômeno não se limita à Argentina. Segundo ele, há vários fenômenos políticos associados com varandas, como a própria igreja católica, em Roma, onde o papa fale com os milhares de fiéis.
Historicamente, reforça Novaro, os terraços se transformaram em palco para fenômenos carismáticos e fortemente institucionalizados, além de um componente personalizado. “Não é casual que isso seja assim na Argentina, ou seja, que tanto adoramos as metáforas populistas”, pontuou.
O jornalista argentino Alberto Amato descreveu as terrazas argentinas, incluindo a de Cristina Kirchner, como “testemunhas históricas”. Afirma que apesar de uma varanda humilde, adquire proporções gigantes. “A senhora Kirchner usou a varanda como tribuna política para alimentar o fervor de seus simpatizantes, dançou na varanda como se a prisão fosse uma festa de aniversário e, desde seu confinamento, enviou mensagens de profundo conteúdo político sobre o fim do atual governo, o fracasso do plano econômico e o retorno “do povo”, afirmou.
