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17 de abril de 2026 15:08

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Seu problema não é investir mal, é gastar demais – 28/07/2025 – De Grão em Grão

Se você entrasse em uma academia e perguntasse qual o segredo para ganhar força, dificilmente ouviria que o suplemento certo é mais importante que a rotina. O instrutor falaria sobre constância, alimentação adequada e sono. Com os investimentos, o princípio é o mesmo: não é a falta de produto sofisticado que impede a construção de patrimônio. É a ausência de hábito.

Vivemos uma era de desejos inflamados. Como já alertava Epicuro, somos movidos por prazeres imediatos — e raramente refletimos sobre suas consequências. Trocamos de celular antes que o anterior dê sinais de desgaste. Compramos roupas novas sem precisar. Reservamos mesa no restaurante mais badalado da cidade, mesmo que tenhamos comida em casa e contas no vermelho.

Pagamos o que não temos, com o dinheiro que ainda vamos ganhar, por coisas que não precisamos. Como escreveu Schopenhauer, “a riqueza perdida pode ser reconquistada, mas o tempo perdido jamais volta.” E cada gasto impensado é, na prática, um tempo de trabalho desperdiçado.

A justificativa padrão é sempre a mesma: “não sei investir.” Mas, na verdade, mesmo que soubesse, provavelmente não faria diferença. Porque o problema não está no conhecimento sobre investimentos. Está, na maioria das vezes, na falta de sobra financeira.

É como tentar encher uma banheira com o ralo aberto. Você pode até aumentar o fluxo, mas nada adiantará enquanto não fechar a saída. A maioria das famílias brasileiras com renda superior a cinco salários mínimos consome quase toda a renda que tem. E o que sobra — se sobra — vira investimento. Mas esperar que sobre é um plano frágil demais para quem deseja ter liberdade no futuro.

Vivemos a era dos atalhos. Basta ver o sucesso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro, usados por muitos não para tratar diabetes, mas para acelerar a perda de peso. Eles funcionam porque antecipam um processo que, em tese, poderia ser alcançado com disciplina, dieta e exercício — só que mais lentamente e com mais esforço.

Nos investimentos, porém, esse atalho não existe. Não há uma injeção milagrosa que corrija anos de gastos excessivos. O processo é mais parecido com o da academia tradicional: exige repetição, constância e algum sacrifício. Lembre-se, a dor da disciplina é sempre menor do que o arrependimento do descontrole.

E nem é preciso grandes malabarismos financeiros para crescer. Investimentos simples, como CDBs, LCI, LCA, títulos públicos, fundos de renda fixa conservadores funcionam muito bem no longo prazo. Mas só para quem os alimenta com constância.

Comparando países, o retrato é nítido: enquanto o brasileiro médio poupa menos de 15% da renda, chineses poupam mais de 40%, segundo dados do Banco Mundial. Não é coincidência que as famílias de lá acumulam mais. Não é sobre saber investir melhor — é sobre gastar menos e guardar mais.

O ganho sobre o capital acumulado, sim, pode ser poderoso. Mas ele exige um primeiro passo: acumular.

Sêneca, filósofo estoico, dizia que “não é pobre quem tem pouco, mas quem deseja sempre mais.” Talvez o início de uma verdadeira virada financeira não esteja em aprender a investir, mas em aprender a desejar menos.

Porque o verdadeiro poder não está em multiplicar o que você tem — mas em impedir que ele escorra por entre os dedos. No fim, não importa o quanto você sabe investir, se você não sabe guardar.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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