Wallace Yan é um excelente jogador. Tem talento e técnica. É jovem e está em formação. Em campo, arruma suas confusões verbais. Tem sido acusado de fazer provocações e falar muito. O jogo acontece na dimensão do psicológico também. Se o falatório não envolver preconceitos e discriminações, as cutucadas emocionais fazem parte. Ser marrento não é mau negócio. E só os jovens periféricos sabem como a marra é instrumento de sobrevivência e de luta.
Wallace Yan fez um bom jogo, provocou, criou, se movimentou. E então, quando a partida entre Galo e Flamengo teve que ser decidia nos penaltis, o garoto provocador mandou a bola da última cobrança do Flamengo para a órbita de Saturno.
Errou e errou de forma bizarra. O estádio veio abaixo. É a contrapartida da provocação. Quem provoca precisa segurar a onda quando a força vem do lado de lá. Acontece. Vai acontecer outras vezes. O pênalti perdido por Yan foi seguido do pênalti convertido pelo goleirão atleticano – que pegou um e marcou o outro. Se Yan foi vilão; Everson foi herói. É assim o balanço da vida.
