Pela Seleção, tudo. Pelo clube, o mínimo possível.
Dá para culpar o holandês?
O empregador vive imerso no caos e em dívidas. Todos os seus últimos presidentes estão sendo investigados pelo Ministério Público (Andrés Sanches já foi denunciado). Não menos importante, o empregador atrasou seus pagamentos — absurdos, diga-se. Como sempre lembra minha amiga Milly Lacombe, toda vez que Memphis dá uma assistência ou faz um gol, o Corinthians fica mais pobre. Isso não é problema dele, claro. Azar de quem ofereceu um contrato leonino ao craque.
O colega José Martínez nem sequer meteu um atestado para faltar ao trabalho. Simplesmente não está indo aos treinos, nem atendendo ao telefone. O que isso diz sobre o compromisso com o clube?
Ainda assim, respondendo à questão da culpabilidade: sim, Memphis pode ser cobrado pela postura. Ele é funcionário de uma instituição gigante, com uma torcida gigante, que lhe ofereceu todo o amor do mundo, desde que ele chegou aqui, desprestigiado na Europa. Tem servido de trampolim para sua permanência na seleção holandesa, às vésperas da Copa do Mundo, mesmo sem grandes atuações. Sem falar no dinheiro. No apartamento. Na chef particular. Ou em todas as benesses de seu generosíssimo acordo.
Alguma dessas coisas ele deveria respeitar: senão o clube, a torcida. Senão a torcida, os companheiros. Senão os companheiros, o acesso à seleção. Senão o acesso à seleção, o dinheiro.
