A articulação buscou convencer Lula de que o impasse sobre a matriz energética não era somente uma questão do Brasil e, por isso, deveria ser negociado internacionalmente.
Nesta semana, Lula recebeu uma lista de países que estão dispostos a apoiar uma continuidade da decisão acordada em Dubai sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis. Entre eles, estão a França, os 54 países do grupo africano e outras 39 nações do grupo das pequenas ilhas.
“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, afirmou Lula hoje na abertura da Cúpula de Líderes que precede a COP30, em Belém.
O mapa do caminho dialoga com a ideia gestada pelo Itamaraty de propor um grupo de trabalho que explore possibilidades de implementação da decisão da COP28. A ideia, no entanto, havia perdido força diante de outros desafios da negociação – como a insatisfação do bloco em desenvolvimento com financiamento. Uma alternativa ainda na mesa seria criar um grupo informal, fora das negociações diplomáticas, que produziria textos de caráter sugestivo e voluntário.
Ao abrir a COP, o discurso de Lula funciona como sinal político para seus próprios negociadores assumirem a missão de buscar um desdobramento para a decisão de transição dos fósseis.
Se Lula não tivesse tocado no assunto, a omissão deixaria morna uma COP que já não tem grandes itens na agenda. Agora, ao menos, o Brasil tem a chancela do seu presidente para propor uma negociação clara: um mapa do caminho para encerrar a dependência de combustíveis fósseis. Veremos na próxima semana se a diplomacia brasileira conseguirá levar essa briga adiante.
