A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começa oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém, e seguirá até o dia 21 de novembro. O evento marca três décadas desde a primeira cúpula, realizada em Berlim, em 1995, e ocorre em um contexto de desafios persistentes: as emissões globais continuam a crescer, o uso de combustíveis fósseis permanece elevado e as temperaturas já ultrapassam níveis considerados seguros pelos cientistas.
Segundo dados da ONU, desde o início das conferências climáticas, as emissões mundiais aumentaram cerca de um terço. O consumo de carvão, petróleo e gás segue em alta, e o planeta está a caminho de um aquecimento médio entre 2,3°C e 2,5°C — muito acima da meta do Acordo de Paris, que busca limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C.
Relatórios apontam que metas atuais são insuficientes
Um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que as emissões de carbono continuam em patamares altos e que as metas nacionais apresentadas até agora não são suficientes para evitar o colapso climático. O World Resources Institute também alerta que as políticas de redução de gases de efeito estufa previstas para 2035 são tímidas diante da urgência do problema.
Os anos de 2023 e 2024 estão entre os mais quentes já registrados, e embora a média móvel de 30 anos ainda esteja abaixo de 1,5°C, especialistas consideram que o planeta está cada vez mais próximo desse limite.
Transição energética avança, mas combustíveis fósseis resistem
Apesar dos alertas, alguns setores apresentam avanços relevantes. A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que a adoção de fontes renováveis, como solar e eólica, cresceu em ritmo acelerado, e as vendas de veículos elétricos bateram recordes. O investimento global em energia limpa atingiu US$ 2,2 trilhões em 2024, superando os aportes destinados aos combustíveis fósseis, que somaram US$ 1 trilhão.
Mesmo assim, o carvão, um dos combustíveis mais poluentes, deve continuar em alta até 2027, impulsionado pela demanda de economias emergentes como China e Índia. Especialistas avaliam que, embora a expansão das energias renováveis compense parte do aumento da demanda energética global, ainda não há substituição efetiva das fontes fósseis.
Cúpula de líderes antecipa tom político da conferência
Nos dias 6 e 7 de novembro, a Cúpula de Líderes, realizada em Belém, antecipou as principais pautas da COP30. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do multilateralismo e defendeu um novo modelo de financiamento global para ações climáticas, com participação de grandes corporações e das maiores fortunas do planeta.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou empresas que continuam lucrando com a degradação ambiental, enquanto o presidente do Chile, Gabriel Boric, rebateu declarações negacionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — uma das principais ausências da conferência.
Metas brasileiras e desafios para o futuro
O Brasil apresentou sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que estabelece uma redução entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com os níveis de 2005. O país também pretende zerar o desmatamento ilegal até 2030 e alcançar emissões líquidas zero até 2050.
O plano nacional inclui medidas como o Plano de Transformação Ecológica, que envolve o poder público e o setor privado em iniciativas de mitigação e adaptação climática. Para especialistas, as metas são realistas e viáveis, mas ainda abaixo do potencial do Brasil, que tem uma das maiores capacidades do mundo para gerar energia limpa e conservar florestas tropicais.
Um teste decisivo para o planeta
A COP30 se consolida como um ponto crucial para avaliar o compromisso das nações com o futuro climático global. Entre promessas e cobranças, o encontro em Belém será determinante para medir se a comunidade internacional está preparada para transformar metas em ações concretas — e evitar que o aquecimento global ultrapasse o ponto de não retorno.
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