A decisão unilateral americana deixou claro, para quem ainda tinha qualquer dúvida, de que a anistia dos bolsonaristas nunca esteve sequer na mesa de negociação de maneira séria. O nome do ex-presidente brasileiro foi apenas um pretexto para segurar um Lula que se jogava alegremente no colo da China e na zona de influência do Brics.
Lula aderiu ao pragmatismo diplomático tardiamente, resistiu o quanto pode, mas o sindicalista dentro dele acabou falando mais alto do que o marido da Janja. Bastou um simples encontro na ONU para que toda a animosidade desnecessária caísse por terra e os canais diplomático entre Brasil e EUA pudessem ser restabelecidos.
Trump, seguindo ecos da Doutrina Monroe, não poderia ser mais explícito em mostrar que as Américas são um protetorado americano, com tudo que isso envolve. O envio do USS Ford, o maior porta-aviões do mundo, para ficar de prontidão no Caribe, foi uma mensagem tão clara quanto possível aos bolivarianos e seus narco-estados.
Em relação a conflitos longínquos, como Rússia x Ucrânia, Trump usa a diplomacia e pressões econômicas. No Oriente Médio, ordena bombardeios cirúrgicos nas instalações iranianas e sai tão rápido quanto entrou. No seu próprio continente, manda toda a cavalaria.
O bolsonarismo mais aloprado fez de tudo para emplacar a narrativa de que Trump pressionava o Brasil por solidariedade ao seu líder e que o prejuízo econômico, com a queda brutal das exportações de diversos produtos estratégicos, seria um “preço amargo” que todos os brasileiros deveriam pagar pela anistia de um político condenado por articular um golpe de estado.
Muitos bolsonaristas, incluindo o próprio Eduardo, pareciam realmente acreditar que Trump ordenaria uma invasão militar ao território brasileiro, derrubando um governo eleito e dando finalmente o golpe que tanto sonharam. A realidade tratou de colocar cada um em seu devido lugar.
