O que se sabe sobre creatina e cérebro
Segundo o professor Lancha Jr., justamente por ter uma função energética no sistema nervoso central, a creatina contribuiria para a sua preservação. “É que as células nervosas têm mecanismos de morte programada, como a apoptose”, diz ele, referindo-se a uma espécie de suicídio celular. “E, muitas vezes, o gatilho da apoptose é a baixa disponibilidade energética.”
Ou seja, a célula cerebral literalmente se explode porque não está trabalhando bem — e, ora, só não está trabalhando bem porque não tem energia para isso. É nesse sentido que ajudaria o aumento da disponibilidade de energia devido ao uso de creatina.
“Existem estudos com gestantes mostrando que, graças à suplementação de creatina, há um aumento da reserva de energia no cérebro do bebê e isso poderá ser protetor se houver alguma intercorrência no parto, como a criança ficar enrolada no cordão umbilical”, é um dos exemplos dados por Lancha Jr. A explicação: haveria uma maior sobrevida dos neurônios enquanto os médicos estivessem resolvendo a emergência, evitando a morte dessas células e, consequentemente, danos cerebrais. “Isso já está bem demonstrado pela literatura científica”, assegura o professor.
Mas daí, a partir de descobertas assim, surgiram novas expectativas. Entre elas, a de que a substância poderia modular nossas emoções. Será mesmo?
Alguns senões sobre creatina e depressão
O primeiro banho de água fria é o seguinte: “Podemos dividir de maneira didática o cérebro em uma área mais superficial, o córtex, onde moram os nossos pensamentos e o raciocínio, e uma região mais profunda, onde estão o hipotálamo e o sistema límbico”, diz o professor Lancha Jr. “Estes têm a ver com as emoções, regulando a nossa ansiedade e a depressão, assim como as sensações de fome e a saciedade, o sono e a vigília.”