O esclarecimento terminou pior porque Sóstenes vinculou os R$ 430 mil resgatados no seu guarda-roupa a uma transação imobiliária que tem a consistência de um pote de gelatina. Disse coisas definitivas sobre o negócio sem definir muito bem as coisas.
Alegou ter vendido uma propriedade em Minas Gerais. “O imóvel me foi pago com dinheiro lícito, está lacrado, tem origem. Então, não tenho nada a temer.” Cadê a escritura? Não exibiu. A data da transação? Não soube dizer. O nome do comprador? Não quis revelar.
Num primeiro momento, Sóstenes disse que possuía o tal imóvel desde 2020. Nessa hipótese, teria mentido para a Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2022, declarou que todo o seu patrimônio estava depositado em duas contas bancárias. Juntas, somavam R$ 4.926,76.
Sóstenes tem a sua explicação. Mas se a versão não orna com a realidade, ele tem outra. Num segundo momento, jurou ter comprado o imóvel depois do pleito de 2022. “É que eu não sei a data certa. […] Não lembro a data da compra e da venda. Tenho que passar isso a vocês. Oportunamente eu passarei, ok?.” Faltou situar oportunamente num ponto qualquer do calendário.
Há no mundo gente cansada de trabalho, de ideias, de altruísmo… Mas poucos exibem enfado pelo dinheiro como Sóstenes. Podendo engordar o patrimônio num bom fundo de investimento, optou por uma variante da forma mais primitiva de poupança. Em vez do colchão, enfiou seu quase meio milhão de reais num saco de lixo e acondicionou o pacote no armário.
Aplicando os R$ 430 mil em papéis como LCI ou LCA, isentos de Imposto de Renda, Sóstenes obteria rendimento de cerca de R$ 4.300 por mês. Ou R$ 54 mil por ano. No CDB, descontado o IR, amealharia algo como R$ 3.800 mensais. Ou R$ 52 mil anuais. “Com a correria do trabalho, não fiz o depósito”, lamentou.
