De todas as fotos e emails que estão sendo revelados pela liberação de parte dos arquivos do empresário pedófilo Jeffrey Epstein, que construiu um império para servir sexualmente homens poderosos com a vida de crianças e de adolescentes, o que mais choca é ver o nome do linguista Noam Chomsky na lista. Saber que Woody Allen, Bill Clinton, Bill Gates, Michael Jackson e Donald Trump são citados não surpreende ninguém, obviamente.
Verdade que a foto que mostra Chomsky ao lado de Epstein é uma que não prova nada: os dois num jato particular conversando. Ainda que seja constrangedor ser visto ao lado de um pedófilo, a imagem pouco diz. Mas os documentos dizem mais, e isso é absolutamente perturbador.
Chomsky é uma das mentes mais brilhantes que já existiram. Anarquista, revolucionário, didático, corajoso, colossal, transgressor, genial. Boa parte da minha formação política foi moldada por ele. Ícone de muitos e de muitas, teve sua importância intelectual registrada por Hollywood em um filme delicioso: “Capitão Fantástico”. A notícia de que seu nome estava na lista me pegou como um soco no estômago e levei dias para conseguir sequer escrever a respeito.