Ninguém escapa de uma certa nostalgia de Natal. A data evoca risos, lágrimas e belas lembranças. Mas, neste ano com desafios globais imensos e em ritmo de montanha-russa, que o espírito natalino nos faça olhar para trás com mais compaixão e dar uma chance para celebrar os marcos importantes de 2025.
Trago aqui a minha contribuição de seis motivos pelos quais devemos brindar a 2025, ou que, pelo menos, nos ajudem a atravessar seus últimos dias.
1) Força democrática
A condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e outras lideranças —incluindo altas patentes militares— por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito foi um marco não apenas para a democracia brasileira, mas para a luta contra o autoritarismo em todo o mundo.
Grandes veículos da imprensa internacional destacaram em editoriais a força da democracia brasileira, fazendo a comparação inevitável com os EUA de Trump. O filósofo americano Jason Stanley afirmou que o Brasil está no centro da luta global contra o fascismo; para Oliver Stuenkel, renomado cientista político, o caso brasileiro é um balizador para os desafios da democracia.
2) Queda da pobreza, da desigualdade e da fome
O Brasil, em 2024, registrou os menores índices de pobreza e desigualdade em 30 anos, segundo o Ipea (Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada), enquanto a renda domiciliar per capita cresceu 70%. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que o país deixou novamente o Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população em situação de subalimentação no período entre 2022 e 2024.
Somos ainda um dos países mais desiguais do mundo e há milhões de pessoas com fome no Brasil. Mas os números provam que é possível avançar.
3) Desmatamento zero
Não estava nem na agenda da COP30. Levado pelo discurso de abertura do presidente Lula, o mapa do caminho para o desmatamento zero global chegou ao rascunho do documento final. Não emplacou, mas ganhou a adesão de mais de 90 países e o compromisso da presidência brasileira da COP de liderar a construção do mapa até a conferência de 2026, na Turquia.
É o ponto de partida para o alinhamento global em torno do combate ao crime ambiental e de investimentos na conservação de ecossistemas vitais, em soluções baseadas na natureza e na agricultura regenerativa.
4) Os ventos do Sul
O Sul Global se apresentou como o contraponto ao governo Trump na questão climática. Com a China na liderança da transição para uma energia limpa, o tema entrou em definitivo na agenda dos Brics no encontro realizado no Rio, durante a presidência brasileira do bloco.
A nova diplomacia climático-ambiental está sendo redesenhada a partir de um mundo multipolar, no qual as inovações vêm de países populosos e mais vulneráveis aos eventos extremos. Para esses, os desafios são o motor de novas economias que podem reequilibrar relações de poder entre nações e delas com o planeta.
Colunas
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
5) Da serpente para o cavalo
Por falar em China, de acordo com o horóscopo chinês, baseado em um ciclo de 12 anos, cada um representado por um animal, 2025 é o ano da serpente —ardilosa, estratégica, misteriosa. Mas, no equilíbrio do yin e yang, o ano seguinte é o do cavalo. Ação, energia, liberdade, sempre em frente, sem esmorecer, que em 2026 esse cavalo nos leve. E que seja leve.
6) O Agente Secreto
Para fechar, celebremos o cinema brasileiro, mais uma vez representando e significando quem somos, e de novo no topo da temporada internacional de prêmios e da bilheteria nacional com O Agente Secreto. É bom lembrar que ainda estamos aqui.
Um Feliz Natal.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.