Eu gosto de hambúrguer. E tenho um íntimo prazer em prepará-lo em casa. Se você também gosta, a ponto de pedir várias vezes (ou não se chegaria aos números divulgados, quase a população do Brasil) —e não, não foi seu filho no berço que pediu—, não o preocupa o fato de ele chegar já esfriando, com o pão molenga e encharcado?
E se você também gosta, a ponto de pedir várias vezes, não lhe ocorre que pode comprar um bom pão de brioche e ter em casa, bem como ter na geladeira uma carne moída do seu jeito (aquele jeito que você, depois de pedir no açougue várias combinações de carnes e de gordura —sim, tem que ter gordura—, conclui que é a sua cara)?
Se tiver crianças em casa, é uma diversão. Faça na mão sua própria maionese (ou dê para a criança bater: se desandar, você terceiriza a culpa…). Frite as batatas você mesmo (em dois tempos, primeiro com pouco calor e, no final, com óleo estourando de quente) —melhor do que as batatas murchas do delivery, certo? Gosta de bacon? Coloque na frigideira ou no micro-ondas (menos sujeira), e coma ainda crocante.
Olha, não quero brigar com você, caso você tenha sido responsável por alguns dos 206 milhões de hambúrgueres pedidos só nesta plataforma (e olha que 60% dos pedidos de delivery nem passam por elas).
O que me preocupa muito é a forma como nos lares contemporâneos o gesto de cozinhar foi perdendo espaço. E, com ele, o espírito comunitário que envolve não somente o comer, mas também o fazer.
Mas sei que nem todo mundo sabe —ou gosta de— cozinhar. A boa notícia é que um prato como hambúrguer não requer tanta habilidade —até o Bananinha, aquele escondido nos Estados Unidos, diz que já fez alguns, nas chapas de um fast-food de lá. Por que você —quem sabe numa bagunça divertida com as crianças— não poderia tentar?