No papo que tive com eles, entre a filmagem de uma cena e outra, isso era palpável. “Nós descobrimos que colocar uma música de John Carpenter em ‘E.T.’ era sensacional”, comentou Ross Duffer, explicando o processo criativo que moldou a série. Basicamente, “Stranger Things” é a mistura de todas essas referências.
Inclusive, eles contaram como o elenco tinha sido pensado: os adultos foram retratados como os personagens de um filme de Steven Spielberg, enquanto os adolescentes eram como se tivessem saído de um filme de terror como “Halloween” ou “A Hora do Pesadelo”. Já os pequenos foram criados como se fossem de um conto de Stephen King, o autor por trás de “IT: A Coisa”.
E foi justamente aí que ocorreu o problema que quase tirou “Stranger Things” do trilho.
Quando os Duffer, junto com a produtora 21 Laps Entertainment, foram em busca de um canal de TV que buscasse a produção, a recepção foi negativa. “As pessoas estavam confusas sobre a série, era tipo ‘eu não entendo, ou você tira as crianças e vai ter que ser sobre o xerife investigando coisas paranormais, ou tem que ser apenas sobre as crianças para as crianças'”, confidenciou Matt. “Eu respondi: ‘Não, não, não. Eu quero fazer tudo’. Se tirarmos as crianças, deixa de ser interessante'”.
Uma das grandes referências para bater o pé e manter o elenco juvenil — na época, com idades entre os 11 e 14 anos — foi também um clássico dos anos 1980. “O que eu gosto em ‘Os Goonies’ é que eles fizeram as crianças levarem a aventura muito a sério e não foram condescendentes com você, como criança. E era bem pesado, como na hora que colocavam a mão do Gordo no liquidificador, com ele chorando”, lembrou Ross.
Imagine se os gêmeos tivessem cedido — criando uma espécie de “Arquivo X” para a TV aberta, centrado nas investigações do policial Jim Hopper (David Harbour) ou na busca da mãe, Joyce Byers (Winona Ryder). Ou se tivessem aceitado transformar tudo em algo no estilo “Goosebumps”, como na adaptação para o cinema de 2015, que é mais infantil.