Faz uns dois anos que obcequei com a navegadora Tamara Klink. Desde que li seu livro “Nós”, que conta a travessia solitária que ela vez do Atlântico em um barco à vela, busco saber sobre ela e suas navegações. No final de 2025, fui convidada para dar vida a mais um exemplar da Revista do Charlô, um anuário que sai perto do Natal e que é publicado pelo grupo Charlô. O trabalho me levou a trocar mensagens com Tamara para uma matéria de três páginas.
Conversando com os editores, resolvemos, porque o espírito da publicação é o do Natal, falar sobre a relação de Tamara com sua avó materna, Anna Francesca Wolff Bandeira. Os vídeos que Tamara posta quando está em travessia começam sempre com a frase “Oi, vovó”, que já virou um jargão. Então, fui atrás de saber mais a respeito dessa relação. Na época em que a procurei para a matéria, Tamara estava justamente passando uns dias em Parati com o namorado e com dona Anna. De lá, ela me contou um pouco sobre essa relação.
Dona Anna foi a primeira pessoa para quem Tamara contou que navegaria em solitário. Foi logo depois de comprar seu primeiro barco, aos 23 anos. Tamara estava com muito medo da viagem que faria e sabia que se contasse para alguém que acabasse colocando os riscos em primeiro lugar ela talvez desistisse. Decidiu contar para a única pessoa que com a idade dela na época, 23 anos, tinha passado por uma imensa travessia, que era a de ser mãe. Foi falar com dona Anna. “Se você quer mesmo navegar em solitário, então prefiro te apoiar do que pensar que você pode passar o resto da vida arrependida de não ter ido”, disse a avó.