13/01/2026

13 de janeiro de 2026 06:41

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Análise: Celac não terá poder para resolver situação na Venezuela

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) estuda realizar uma reunião ministerial extraordinária neste domingo (4) para discutir os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro. No entanto, segundo o analista sênior de internacional da CNN Américo Martins, o organismo regional não terá poder efetivo para resolver a situação ou promover mudanças concretas no cenário atual.

A Celac, que reúne 33 países do hemisfério (com exceção dos Estados Unidos e Canadá), enfrenta atualmente uma profunda divisão interna que reflete as diferentes posições ideológicas dos governos da região. De um lado, países com governos de tendência mais à esquerda, como Brasil e Colômbia (atual presidente da organização), devem adotar posturas críticas às ações americanas, questionando sua legalidade no âmbito da justiça internacional.

Por outro lado, governos com alinhamento mais à direita, como a Argentina de Javier Milei, que já manifestou apoio às ações dos Estados Unidos, devem defender uma posição contrária. “Esta fragmentação impede que a Celac chegue a um consenso ou tome medidas efetivas para influenciar o desenrolar da crise venezuelana”, afirma o analista.

Organizações regionais enfraquecidas

O cenário de divisão não é exclusivo da Celac. Outras entidades regionais como o Mercosul e a Organização dos Estados Americanos (OEA) também enfrentam fraturas semelhantes que limitam sua capacidade de ação. No caso da OEA, há ainda a presença dos Estados Unidos, o que, segundo alguns diplomatas, faz com que a entidade represente principalmente os interesses americanos.

Além das organizações regionais, o caso deve ser levado ao Conselho de Segurança da ONU, principal órgão responsável por garantir a paz e resolver conflitos mundiais. Ali, países como Rússia e China, que mantinham relações próximas com o governo de Maduro, já emitiram comunicados condenando veementemente as ações americanas.

“Contudo, mesmo no âmbito da ONU, a efetividade de qualquer medida é limitada, uma vez que os Estados Unidos, como membro permanente do Conselho de Segurança, têm poder de veto sobre qualquer resolução. Esta realidade evidencia as fragilidades do sistema de governança internacional, especialmente quando confrontado com ações unilaterais de grandes potências”, conclui Américo.

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