13/01/2026

13 de janeiro de 2026 20:15

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Exportações de carnes de Mato Grosso cresceram 43% mesmo com tarifaço

Em um feito notável para o agronegócio, as exportações de carnes de Mato Grosso registraram um crescimento robusto de 43,12% entre janeiro e novembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. O desempenho, que engloba carne bovina, suína e de aves, surpreende por ter ocorrido em um cenário internacional adverso, que incluiu uma sobretaxação de 50% imposta pelos Estados Unidos, e um paradoxal recuo no número de animais abatidos.

De acordo com dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o valor total das vendas externas de carnes saltou de aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2024 para cerca de US$ 3,85 bilhões no acumulado de 2025. A carne bovina foi o principal motor desse crescimento, com suas exportações passando de US$ 2,45 bilhões para US$ 3,62 bilhões. O setor suíno também contribuiu positivamente, avançando de US$ 59,97 milhões para US$ 68,55 milhões.

Eficiência e valor agregado impulsionam o setor

Apesar do aumento na receita, o ano de 2025 registrou uma diminuição no número de abates em todas as categorias. Os abates de bovinos caíram de 7,14 milhões para 5,39 milhões de cabeças; os de suínos, de 2,79 milhões para 2,07 milhões; e os de aves, de 211,87 milhões para 158,13 milhões de frangos.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, essa aparente contradição reflete uma transformação estrutural na pecuária mato-grossense. “Hoje, uma parcela significativa dos animais abatidos em Mato Grosso tem menos de 24 meses. Isso é resultado do avanço do confinamento e da terminação intensiva a pasto, que permitem produzir mais carne em menos tempo. Essa eficiência compensa oscilações no volume de abates”, explicou Miranda, destacando o maior valor agregado da carne exportada.

Outro fator importante foi o ciclo pecuário, que viu em 2024 um maior abate de fêmeas e, em 2025, uma retenção de animais para engorda, impulsionada pela expectativa de preços mais firmes para o boi gordo.

Resiliência no mercado global e foco asiático

A demanda externa aquecida, especialmente da China, principal destino da carne bovina de Mato Grosso, foi crucial para o bom desempenho. A imposição da sobretaxa dos Estados Unidos à carne bovina brasileira, que durou 99 dias, não freou o ímpeto exportador do estado. Mato Grosso demonstrou notável capacidade de adaptação, redirecionando seus embarques e ampliando as vendas para mercados asiáticos, minimizando o impacto do tarifaço.

“A produção de carne em Mato Grosso é muito superior ao consumo interno. Temos uma indústria preparada, logística eficiente e plantas habilitadas para exportação. Isso permite ao Estado responder rapidamente às oportunidades do mercado internacional e manter crescimento mesmo em cenários adversos. Nossos maiores compradores são países da Ásia e do Oriente Médio”, ressaltou César Miranda.

A China continua sendo o principal mercado, absorvendo a maior parte das exportações de carne bovina, seguida por destinos como Hong Kong, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Filipinas. Para carne suína e de aves, o ritmo de compras de mercados asiáticos como China, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio também se manteve forte, consolidando a importância estratégica desses parceiros comerciais para o agronegócio mato-grossense.

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