14/01/2026

14 de janeiro de 2026 09:16

Guerra tarifária de Trump fortalece China

Foto: Xinhua/Huang Jingwen

O comércio global mudou de figura depois que Donald Trump impôs tarifas altas (até 145% em alguns produtos chineses) em 2025. Em vez de paralisar o mundo, as medidas forçaram uma reorganização rápida: países encontraram novas rotas e o Brasil saiu ganhando.

A China dribla as tarifas e bate recorde mundial

A China redirecionou suas exportações para outros mercados. Resultado: superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, com exportações crescendo apesar da queda de 28,6% para os EUA. Países como União Europeia, Austrália, Índia e Vietnã absorveram mais produtos chineses.

O Brasil aproveita a brecha e exporta mais para a China

Enquanto os EUA enfrentam barreiras, o Brasil ampliou suas vendas para a China. Em 2025, as exportações brasileiras para o país asiático cresceram 6%, atingindo US$ 100 bilhões – o segundo maior valor da história.

Produtos como soja, minério de ferro, petróleo bruto e carne bovina impulsionaram esse aumento. O comércio total Brasil-China bateu recorde de US$ 171 bilhões (+8,2% em relação a 2024), mais que o dobro do negociado com os EUA (US$ 83 bilhões). O Brasil manteve superávit de US$ 29 bilhões com a China pelo 17º ano seguido.

Isso mostra como o Brasil se beneficiou da diversificação chinesa: mais demanda por commodities brasileiras compensou qualquer impacto negativo das tarifas americanas.

Acordos bilaterais crescem e o mundo ignora os EUA

Países criam parcerias diretas para evitar Washington. México, Vietnã e nações da ASEAN ajustam tarifas próprias, mas absorvem mais bens chineses. O Brasil, com laços fortes na China via BRICS e acordos bilaterais, reforça sua posição como fornecedor chave e agora o acordo UE- Mercosul.

O preço para os americanos: inflação e insatisfação

Nos EUA, as tarifas encarecem a vida: famílias pagam de US$ 1.100 a US$ 3.800 a mais por ano. Inflação subiu 0,7% a 1,5%, desemprego foi para 4,6% e o PIB caiu 0,5% a 0,9%. Pesquisas mostram 57% desaprovam a economia de Trump.

Trump pode recuar para salvar popularidade

Com tréguas parciais (tarifas chinesas reduzidas de 42% para 32%) e eleições de meio de mandato em 2026 se aproximando, a pressão interna cresce. O FMI prevê crescimento global mais fraco por causa das tarifas. Os EUA correm risco de isolamento.

As tarifas de Trump, pensadas para fortalecer os EUA, aceleraram a diversificação global. A China inova e se adapta; o Brasil ganha com exportações recordes para Pequim. Washington paga o preço da inflação e da perda de influência. No fim, quem se isola acaba pagando mais caro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Guerra tarifária de Trump fortalece China apareceu primeiro em Canal Rural.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Bombeiros e Ciopaer resgatam homem com Alzheimer após dois dias desaparecido em área de mata em Sorriso

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, por meio do 5º Batalhão Bombeiro Militar…

entenda a dinâmica da primeira semana e as provas

A dinâmica da 1ª semana do BBB 26 já foi anunciada, e promete movimentar a…

Bahia de Feira × Bahia: horário e onde ao Campeonato Baiano

Bahia de Feira × Bahia se enfrentam nesta quarta – feira (14), às 19h15 (de…