O comércio global mudou de figura depois que Donald Trump impôs tarifas altas (até 145% em alguns produtos chineses) em 2025. Em vez de paralisar o mundo, as medidas forçaram uma reorganização rápida: países encontraram novas rotas e o Brasil saiu ganhando.
A China dribla as tarifas e bate recorde mundial
A China redirecionou suas exportações para outros mercados. Resultado: superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, com exportações crescendo apesar da queda de 28,6% para os EUA. Países como União Europeia, Austrália, Índia e Vietnã absorveram mais produtos chineses.
O Brasil aproveita a brecha e exporta mais para a China
Enquanto os EUA enfrentam barreiras, o Brasil ampliou suas vendas para a China. Em 2025, as exportações brasileiras para o país asiático cresceram 6%, atingindo US$ 100 bilhões – o segundo maior valor da história.
Produtos como soja, minério de ferro, petróleo bruto e carne bovina impulsionaram esse aumento. O comércio total Brasil-China bateu recorde de US$ 171 bilhões (+8,2% em relação a 2024), mais que o dobro do negociado com os EUA (US$ 83 bilhões). O Brasil manteve superávit de US$ 29 bilhões com a China pelo 17º ano seguido.
Isso mostra como o Brasil se beneficiou da diversificação chinesa: mais demanda por commodities brasileiras compensou qualquer impacto negativo das tarifas americanas.
Acordos bilaterais crescem e o mundo ignora os EUA
Países criam parcerias diretas para evitar Washington. México, Vietnã e nações da ASEAN ajustam tarifas próprias, mas absorvem mais bens chineses. O Brasil, com laços fortes na China via BRICS e acordos bilaterais, reforça sua posição como fornecedor chave e agora o acordo UE- Mercosul.
O preço para os americanos: inflação e insatisfação
Nos EUA, as tarifas encarecem a vida: famílias pagam de US$ 1.100 a US$ 3.800 a mais por ano. Inflação subiu 0,7% a 1,5%, desemprego foi para 4,6% e o PIB caiu 0,5% a 0,9%. Pesquisas mostram 57% desaprovam a economia de Trump.
Trump pode recuar para salvar popularidade
Com tréguas parciais (tarifas chinesas reduzidas de 42% para 32%) e eleições de meio de mandato em 2026 se aproximando, a pressão interna cresce. O FMI prevê crescimento global mais fraco por causa das tarifas. Os EUA correm risco de isolamento.
As tarifas de Trump, pensadas para fortalecer os EUA, aceleraram a diversificação global. A China inova e se adapta; o Brasil ganha com exportações recordes para Pequim. Washington paga o preço da inflação e da perda de influência. No fim, quem se isola acaba pagando mais caro.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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