A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou nesta terça-feira as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas ao bloco em meio à disputa sobre a Groenlândia e defendeu a soberania da ilha no Ártico.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Von der Leyen afirmou que as tarifas planejadas por Trump contra oito países europeus que enviaram soldados à Groenlândia são “um erro” e que a soberania da ilha é “inegociável”.
“A União Europeia e os EUA firmaram um acordo comercial em julho passado. E na política, como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar algo”, afirmou a chefe do bloco.
Trump anunciou no sábado que pretende impor tarifas de 10% sobre França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca, a partir de 1º de fevereiro, como forma de pressão para que a Europa ceda aos EUA o controle da Groenlândia.
Em resposta, a UE avalia adotar um pacote de retaliação de 93 bilhões de euros contra produtos americanos e não descarta também usar um instrumento anticoerção, chamado de “bazuca comercial”, se Trump seguir adiante com suas ameaças.
Von der Leyen afirmou que a resposta da UE será “inabalável, unida e proporcional”, mas destacou que o bloco considera os EUA como “amigos”, não apenas como aliados.
“Mergulhar numa espiral descendente só ajudaria os mesmos adversários que ambos estamos comprometidos em manter fora do cenário estratégico”, acrescentou a representante da UE. “Quando se trata da segurança da região do Ártico, a Europa está totalmente comprometida.”
Trump tem insistido que os EUA precisam da Groenlândia por razões de segurança diante possíveis ameaças da China e da Rússia. Mais cedo, em uma postagem na Truth Social, ele afirmou que terá reuniões com “várias partes” sobre o tema em Davos, mas renovou as ameaças sobre o território.
“Como deixei claro para todos, de forma muito direta, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás – e, quanto a isso, todos concordam”, afirmou ele, após uma conversa com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
