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24 de janeiro de 2026 00:22

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O Oscar se alimenta do hype e do barulho dos brasileiros – 23/01/2026 – Mariliz Pereira Jorge

O Oscar descobriu um segredo óbvio para quem mora aqui: brasileiro não “acompanha” premiação, brasileiro vira torcida organizada. A Academia passou anos tentando vender a ideia de que ainda era o centro do universo, enquanto o público, educadamente, trocava o tapete vermelho por uma maratona qualquer no streaming. Mas quando o Brasil entra no roteiro, a coisa ganha uma energia que Hollywood anda implorando.

No ano passado, Fernanda Torres e “Ainda Estou Aqui” fizeram uma campanha bonita, mas não dá para ignorar o mutirão digital espontâneo. Entre setembro e dezembro de 2024, ela publicou 77 posts no Instagram e somou mais de 9,2 milhões de curtidas. Já de janeiro a fevereiro de 2025, vieram 43 publicações, mais de 18 milhões de curtidas e 464 mil comentários —média de 431 mil interações por post. A mLabs estimou que o engajamento dela foi 6,8 vezes maior do que a soma das outras concorrentes.

Era fôlego, não de tapete vermelho, o que o Oscar precisava. A audiência da premiação encolheu por anos, por motivos nada glamourosos: fragmentação do consumo, perda de centralidade da TV e um detalhe simples: muita gente nem sabe onde assistir aos filmes do ano. Em 1998, com “Titanic”, a transmissão nos EUA teve um público de 57 milhões; em 2021, no auge da pandemia, bateu no fundo com 10,5 milhões. Em 2025, recuperou para 19,7 milhões. Mas prestígio, hoje, também se mede pelo barulho, a mesma edição de 2025 gerou 104,2 milhões de interações sociais, segundo a ABC.

A conclusão foi inevitável: o papo sobre a premiação vai muito além das fronteiras de Los Angeles. Em 2020, “Parasita” virou a primeira produção em língua não inglesa a ganhar a estatueta de melhor filme. Nas indicações de 2026, duas produções não faladas em inglês —”O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”— aparecem tanto em melhor filme quanto em melhor filme internacional, e Wagner Moura está na disputa de melhor ator. De um prêmio que já foi uma festa fechada, o Oscar percebeu que diversidade cultural não cabe num único sotaque. Mas não nos enganemos, isso é estratégia de sobrevivência.

E aí entra o Brasil, com sua contradição favorita. A gente torce o nariz para “colonialismo”, mas prêmio gringo ainda mexe com a autoestima nacional. A Academia entendeu que a internet brasileira transforma toda indicação num evento. “Ainda Estou Aqui” levou o país a um Oscar inédito em filme internacional no ano passado; agora, “O Agente Secreto” não foi convidado para fazer figuração exótica: são quatro indicações — melhor filme, filme melhor filme internacional, melhor elenco (categoria nova) e melhor ator.

Mas essa paixão vem com bônus e multa. A mesma energia que faz mutirão por um filme vira patrulha sem noção, sem o mínimo de civilidade de torcida: perfis de concorrentes recebem xingamentos, ofensas e ameaças. No ano passado, o constrangimento ficou tão grande que a própria Fernanda Torres pediu que os ataques parassem, inclusive contra Mikey Madison, vencedora de melhor atriz, e Karla Sofía Gascón.

Eu, por exemplo, não gostei de “Pecadores”, recordista com 16 indicações. Achei um daqueles filmes que prometem muito no começo e depois desabam numa historinha de vampiros e mocinhos, com enredo óbvio da metade para o fim. Mesmo assim, não me passa pela cabeça ir “cobrar” ninguém. Pessoal viajou? Viajou. Sairão de lá com muitos prêmios? É do jogo.


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