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2 de fevereiro de 2026 14:22

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Café lidera alta da cesta básica em 2025 e deve seguir caro em 2026, diz Abic

O café foi o produto da cesta básica que mais aumentou de preço em 2025, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), divulgado nessa quinta-feira (29). E a tendência é que a bebida continue pesando no bolso dos consumidores ao longo de 2026.

Segundo a Abic, mesmo com a expectativa de uma boa safra no próximo ano, os estoques mundiais de café estão baixos. Por isso, grande parte da produção deve ser usada para recompor essas reservas, o que limita uma queda mais significativa nos preços. A avaliação é do presidente da entidade, Pavel Cardoso.

Em 2025, o faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em relação a 2024 e alcançou R$ 46,24 bilhões. A alta, segundo a associação, foi puxada principalmente pelo aumento do preço do café nos supermercados.

Café lidera alta da cesta básica em 2025. – Foto: Divulgação

Entre 2021 e 2025, o valor pago pelo consumidor subiu 116%. Mesmo assim, esse aumento foi menor do que o enfrentado pela indústria na compra do grão. No mesmo período, o preço do café arábica — o mais consumido no Brasil — disparou 212%.

De acordo com a Abic, o encarecimento do café é consequência de uma sequência de problemas climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas prolongadas e temperaturas elevadas. Com menos grãos disponíveis no mercado, os preços acabaram subindo.

Como reflexo, o consumo de café no Brasil caiu 2,31% em 2025. Ainda assim, Cardoso afirma que o hábito segue forte no país. “Mesmo com aumentos expressivos, o consumo se manteve relativamente estável”, avalia.

O estudo da Abic analisou seis itens da cesta básica. Em 2025, quatro ficaram mais baratos em relação ao ano anterior: arroz, feijão, açúcar e leite. Já dois produtos ficaram mais caros: o óleo de soja e o café torrado e moído. Veja abaixo:

Variação de preços da cesta básica em 2025 (%)

🌾 Arroz-31,1%

🫘 Feijão-14,3%

🍰 Açúcar-13,3%

🥛 Leite-4,9%

🛢️ Óleo de soja+1,2%

☕ Café torrado e moído+5,8%

Fonte: Abic

Entre os fatores que pressionaram o preço do café estão o aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre o produto brasileiro, a redução dos estoques globais após quatro anos de safras menores no mundo e os impactos do clima, especialmente sobre o café arábica. Além disso, parte do aumento de custos da indústria foi repassada aos consumidores. Segundo Cardoso, se todo esse custo tivesse sido transferido, o preço ao consumidor ainda poderia subir cerca de 70%.

O café em 2026

Apesar disso, a expectativa para 2026 é positiva em relação à produção. Segundo a Abic, o fenômeno La Niña, que atuou no ano passado, trouxe condições climáticas mais equilibradas às regiões produtoras, com chuvas e temperaturas adequadas ao desenvolvimento das lavouras.

Mesmo assim, Cardoso afirma que seria necessário pelo menos dois anos seguidos de boas safras para que os preços do café caiam de forma consistente. No momento, o foco da indústria é recompor os estoques.

Com maior oferta de grãos, a associação acredita que o consumo pode se recuperar. Preços mais estáveis podem abrir espaço para promoções nos supermercados. “Quando o preço baixa um pouco, o consumidor já aproveita para comprar mais e fazer estoque em casa. Ele não abre mão do café”, diz Cardoso.

Sinais dessa redução já começaram a aparecer. Em dezembro, o café tradicional extraforte ficou 7,1% mais barato em relação a novembro, após a queda no preço da matéria-prima. O café em cápsulas teve redução ainda maior: 13,2% no mês e 16,8% na comparação com janeiro de 2025.

Segundo a Abic, a diferença ocorre porque a quantidade de café por quilo é distinta nas cápsulas em relação aos pacotes tradicionais. Além disso, a indústria pode ter fechado contratos para vender o produto a preços mais baixos a partir de abril, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de café robusta.

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