As autoridades de vigilância em Saúde realizam operação na agencia de distribuição dos Correios na última semana, apreendendo mais de 2 mil unidades de medicamentos irregulares no Brasil, como emagrecedores e anabolizantes vindos do Paraguai. A operação aconteceu entre os dias 2 e 4 de fevereiro.
Os itens estavam ocultos em encomendas, disfarçados em meio a presentes e objetos como bolsas e copos térmicos, camuflados em erva de tereré, frascos de óleo e creme hidratante, além de escondidos em embalagens de alimentos, como sacos de feijão e materiais escolares. Na quinta-feira (5), o Primeira Página noticiou o flagrante de ampolas de emagrecedores dentro do pote de cremes de cabelo.
A operação conta com a atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, da Anvisa, da CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul), do CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e dos Correios.
Em nota divulgada á imprensa, os órgãos informaram que seguirão com a operação durante todo o mês.
Emagrecedores são enviados pelos Correios em potes de creme
Nas apreensões, as encomendas foram identificadas por meio de inspeção por raio-X no fluxo postal e retidas pela Gerência de Segurança Empresarial dos Correios, em razão de apresentarem irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento. Muitos dos medicamentos exigem refrigeração entre 2ºC e 8ºC, o que não foi observado, configurando risco adicional à saúde.
Alerta à população
Em nota, a SES reforçou que a comercialização e o envio de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária não nacionalizados, sem o devido registro sanitário, autorização ou comprovação de origem configuram grave risco à saúde da população.
“Sem controle sanitário e sem garantia de procedência, esses itens podem apresentar composição desconhecida, armazenamento inadequado e ausência de critérios mínimos de qualidade e segurança, expondo os consumidores a possíveis danos”, disse.
No caso das apreensões, muitos dos produtos utilizam embalagens indicando procedência como Reino Unido e Alemanha, porém não são produzidos nesses locais, explica o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo.
“A ideia é gerar uma sensação de credibilidade, porém se trata de substâncias que não são reconhecidas por agências reguladoras, com a Tirzepatida; e até que ainda estão em fase de testes sem possuir aprovação de uso em nenhum local do mundo, como a Retatrutida, ainda em fase experimental”, detalha.
Diante do risco que se espalha pelo País, a Anvisa iniciou o ano de 2026 intensificando a fiscalização desses produtos. Em MS, força-tarefa foi estabelecida pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária por meio do Visa Protege, para desenvolvimento de ação permanente e operações conjuntas com outros órgãos fiscalizadores e de segurança pública, tais como Anvisa, CRF/MS, Polícia Civil, em locais de trânsito de mercadorias como os Correios.
