09/02/2026

9 de fevereiro de 2026 20:36

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Dólar fecha a R$ 5,18, menor patamar em 21 meses, com exterior | Finanças

O enfraquecimento do dólar globalmente hoje deu espaço para mais uma sessão de apreciação do câmbio brasileiro. A moeda americana à vista encerrou o pregão no menor patamar desde 28 de maio de 2024, quando chegou a R$ 5,15.

Operadores apontam diferentes motivos para o enfraquecimento da moeda americana, como a notícia sobre a China evitar exposição aos Treasuries, a intenção do Japão em ter o iene valorizado e também dados recentes da economia americana mostrando um mercado de trabalho perdendo tração.

No fim das negociações, o dólar comercial registrou desvalorização de 0,62%, cotado a R$ 5,1878, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,1746 e encostado na máxima de R$ 5,2122. Já o euro comercial teve alta de 0,20%, a R$ 6,1828.

Perto do fim do pregão, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,83%, aos 96,826 pontos.

Desde o início do pregão, a moeda americana exibiu depreciação frente ao real, em linha com a dinâmica dos mercados de câmbio no exterior. Operadores viram motivos distintos para esse movimento: além de possíveis intervenções no mercado de câmbio para fortalecer o iene japonês, houve a leitura sobre números da economia americana. “Os dados do mercado de trabalho dos EUA surpreenderam negativamente na semana passada, e os mercados agora se preparam para que o Federal Reserve (Fed) possivelmente reavalie sua visão sobre o mercado de trabalho”, diz o banco ING, acrescentando que números fracos podem pesar sobre o dólar.

Além disso, o banco holandês lembra que o regulador estatal chinês pediu aos bancos privados chineses que reduzam sua exposição aos Treasuries dos EUA, sob a ótica de risco de concentração de mercado. “A China continental e Hong Kong, juntas, detinham US$ 938 bilhões em Treasuries dos EUA em novembro passado. Comentários como esses surgem em um momento vulnerável para o dólar, quando o tema da diversificação cambial está em alta”, afirma. “Na ausência de uma piora significativa no apetite por risco, parece que podemos ver uma semana de queda para o dólar.”

Esse ambiente mais construtivo para mercados emergentes, que tem sido observado neste começo de ano, deve se estender nos próximos meses e beneficiar o câmbio brasileiro ainda mais, segundo avaliação da Pictet Wealth Management. Mas riscos locais podem enfraquecer os ventos favoráveis do exterior, conforme a leitura do gestor sênior Alejandro Bondavalli em entrevista ao Valor.

“As principais preocupações são de natureza política e fiscal. A dívida pública do Brasil aumentou de forma significativa, e a política fiscal do governo carece de credibilidade aos olhos de muitos investidores”, afirma, acrescentando que a incerteza política deve permanecer elevada ao longo deste ano por causa das eleições, o que adiciona um grau maior de instabilidade ao real. “Pensando historicamente, o real tenderia a se estabilizar ou até a perder parte dos ganhos recentes nos meses que antecedem as eleições, à medida que os mercados se tornam mais cautelosos e a volatilidade aumenta”, afirma.

No entanto, uma vez que houver um resultado eleitoral, particularmente se ele trouxer clareza sobre as perspectivas da política fiscal e da política econômica, o câmbio brasileiro deve se recuperar, sendo os períodos pós-eleição tipicamente mais favoráveis à apreciação da moeda, afirma Bondavalli. “Os investidores devem esperar alguma volatilidade, mas o ambiente geral continua favorável para o real, desde que os riscos políticos e fiscais sejam administrados de forma responsável.”

No caso do real, o apelo do “carry-trade”, estratégia em que investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento para investir em moedas de alto rendimento, deve continuar dando suporte à moeda brasileira, ainda mais se o crescimento global acelerar e a demanda por commodities permanecer forte, diz Bondavalli. “Além disso, os títulos de mercados emergentes oferecem potencial de retornos mais altos com menor alavancagem em comparação aos pares de mercados desenvolvidos”, diz. No caso de fluxo de capital, o gestor aponta que as exportações permanecem robustas, e tanto o saldo comercial quanto os termos de troca estão melhorando, “sustentando uma visão construtiva para o real frente ao dólar”.

Já o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal, lembra que é comum ocorrer ajuste em carteira de portfólio no começo do ano, então é preciso observar com cautela esse movimento de 2026. “Claramente, no começo deste ano, o estrangeiro mostrou mais interesse por mercados emergentes, em especial por América Latina. E sabemos que deste grupo, o Brasil é um ‘player’ importante porque tem mais profundidade e liquidez. A grande dúvida é: isso é um processo ou foi um ajuste?”, diz.

A resposta dessa pergunta, segundo Leal, deve trazer também mais perspectivas sobre os mercados brasileiros. “Agora que vimos o Ibovespa valorizando rapidamente, muitos comentários surgiram indicando que o índice baterá 200 mil pontos até o fim do ano. Se esse movimento for um processo, veremos isso acontecer até o fim do trimestre. Agora, se for um ajuste, talvez esse seja o teto para o momento.”

Ao falar sobre a formação do câmbio a partir de fluxo real e fluxo de derivativo, Leal aponta que neste começo de ano, foi o fluxo cambial que teve importância maior. “Desta vez foi o cachorro abanando o rabo, e não o rabo abanando o cachorro”, afirma, em referência ao fato de que, na maioria dos mercados globais, o preço se forma no mercado à vista, e não no mercado de derivativos, enquanto no Brasil é o oposto.

Mas, novamente pelo viés do fluxo para emergentes, Leal diz que para o dinheiro real continuar formando preço do câmbio (em vez dos derivativos) é preciso que esse fluxo estrangeiro ao país perdure. Já no caso dos derivativos, o economista diz que em algum momento deste ano, o risco político por conta das eleições pode elevar a posições protegidas por “hedge”, o que irá pressionar o câmbio. “Por ora, estamos em uma lua de mel por conta do ambiente externo favorável”, diz, “A partir de abril e maio, vamos ter uma visão melhor do cenário eleitoral, e isso vai entrar no preço e nas decisões de investimento. E por meio da remontagem de posição, poderemos ver pressão no câmbio. Isso mesmo com juros elevados, porque quando há estresse, não importa o preço, e sim o risco. Vimos isso no fim de 2024, quando os juros já estavam altos, e mesmo assim houve formação elevada de hedge contra o real.”

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