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23 de janeiro de 2026 12:18

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A verdadeira ameaça à democracia é a oligarquia – 21/01/2026 – Latinoamérica21

Quando a democracia entra em crise, o diagnóstico mais recorrente aponta o populismo como principal ameaça. Líderes carismáticos, discursos anti-institucionais e estilos autoritários dominam o debate público, alimentando a ideia de que a democracia liberal estaria sendo corroída “de baixo para cima”. Essa narrativa, porém, é insuficiente. Na América Latina —e cada vez mais também em outras regiões— o problema estrutural mais persistente não é o populismo, mas a oligarquia.

Desde as independências do século 19, a América Latina funcionou como um vasto laboratório republicano. As novas repúblicas adotaram princípios avançados para sua época: soberania popular, constitucionalismo, eleições e secularização do poder. Não eram simples imitações europeias, mas tentativas originais de organizar a liberdade política em sociedades profundamente desiguais. Essa desigualdade, contudo, nunca foi superada. A cidadania foi formalmente universalizada, mas permaneceu seletiva, marcada por hierarquias sociais, raciais e de gênero.

Desse descompasso nasceram regimes formalmente democráticos, porém substantivamente oligárquicos. Elites econômicas restritas capturaram o Estado, moldaram instituições e transformaram a representação política em instrumento de reprodução do poder. As eleições persistiram, mas a igualdade política perdeu conteúdo. Não se tratavam de democracias fracassadas, e sim de democracias funcionalmente compatíveis com a dominação de poucos.

A tradição republicana ajuda a compreender esse fenômeno. Uma república não se limita ao voto: ela exige proteção efetiva da liberdade contra qualquer forma de dominação, pública ou privada. Estado de Direito, separação de poderes e uma administração autônoma são condições essenciais. Quando riqueza e poder se concentram excessivamente, essas bases se deterioram. A desigualdade torna os cidadãos dependentes e vulneráveis, reduzindo sua liberdade real.

Nessa chave, o populismo deixa de ser uma anomalia e passa a ser entendido como resposta à exclusão produzida por regimes oligárquicos. Quando instituições não representam, a justiça favorece os poderosos e o crescimento beneficia poucos, o apelo ao “povo” contra a “elite” ganha força. O problema é que o populismo raramente resolve o que denuncia: ao concentrar poder e enfraquecer controles, substitui a dominação oligárquica por uma dominação personalista.

O risco maior, portanto, é o retrocesso republicano: a erosão do Estado impessoal, a confusão entre público e privado, a degradação burocrática e o uso arbitrário do poder. Estados de exceção normalizados e ataques a órgãos de controle não fortalecem a democracia; esvaziam-na.

A história latino-americana também oferece alternativas. Há uma tradição de republicanismo plebeu — indígena, anticolonial e igualitário— que busca ampliar a cidadania real e submeter o poder econômico ao interesse público. Defender a democracia hoje exige mais do que preservar eleições: exige enfrentar a concentração de poder e riqueza que a corrói silenciosamente por dentro.


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