O ex-secretário de Estado de Educação e pré-candidato a deputado estadual, Alan Porto, defende a consolidação do uso de realidade virtual nas escolas da rede estadual de ensino de Mato Grosso. Alan Porto lembra que 42 unidades de tempo integral, no estado, já fazem parte dessa realidade.
A iniciativa, implantada dentro da Política de Tecnologia no Ambiente Escolar, levou kits com notebook e óculos 3D às unidades, com o objetivo de ampliar o uso de recursos digitais nas aulas e aproximar os estudantes de conteúdos que, muitas vezes, ficavam restritos aos livros, às smart TVs — que substituíram o quadro — e aos Chromebooks usados pelos alunos em sala de aula.
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O investimento no projeto chegou a R$ 9,9 milhões, com a aquisição de 42 kits. Cada escola recebeu um notebook e 36 óculos 3D para uso em rodízio. Na prática, uma turma pode observar o corpo humano por dentro em uma aula de Biologia, acompanhar uma simulação de Química sem contato com reagentes perigosos ou visualizar fenômenos de Física em escala ampliada.
Alan Porto afirma que a proposta, desde o início, não consistia apenas em entregar equipamentos às escolas. “Não se tratava de comprar aparelhos e deixá-los guardados em uma sala. A ideia foi colocar esses recursos nas mãos de professores e estudantes para ajudar a explicar aquilo que, muitas vezes, é difícil de enxergar apenas com os recursos mais tradicionais”, disse.
Na avaliação dele, a realidade virtual ajuda a reduzir limitações que sempre pesaram sobre a escola pública, especialmente em atividades que dependem de laboratórios caros, de materiais específicos ou de ambientes de difícil acesso.
“Um microscópio tem uma função importante, mas limitada. Os óculos de realidade virtual permitem ampliar, reduzir e simular, além de levar o estudante a entrar no conteúdo. Isso muda a relação dele com a aula”, afirma.
Políticas Educacionais
A ação nasceu no Plano EducAção 10 Anos, que reúne 30 políticas educacionais e tem como meta colocar a rede estadual de Mato Grosso entre as cinco redes públicas mais bem avaliadas do país até 2032.
A Política de Tecnologia no Ambiente Escolar também inclui a entrega de smart TVs de 60 polegadas, Chromebooks para estudantes, notebooks para professores, robótica educacional, torneios e projetos baseados na metodologia STEAM.
Para Alan Porto, a tecnologia só ganha função quando chega acompanhada de formação. Por isso, os professores das escolas contempladas passaram por preparação para usar os óculos 3D, conhecer o programa SOAT VR, explorar o material didático e aprender os cuidados necessários com os equipamentos.
“A formação foi decisiva para que os óculos 3D deixassem de ser novidade e passassem a fazer parte da aula. O professor precisava conhecer a ferramenta, testá-la, adaptá-la e perceber onde ela faria sentido. Quem transforma o recurso em aprendizagem é o professor, e começamos essa ação justamente por eles”, ressaltou.
Esse caminho, segundo Alan Porto, abriu espaço para que os estudantes criassem projetos próprios e usassem a tecnologia como parte da rotina escolar, como algo próximo da realidade deles.
“A principal motivação foi conectar a escola ao mundo digital e aumentar o interesse dos estudantes. Quando o aluno cria, testa, erra, corrige e apresenta um projeto, ele entende que a tecnologia também pertence a ele”, afirmou.
Na avaliação do ex-secretário, a consolidação da política mostra que a escola pública pode oferecer experiências antes restritas a poucos ambientes privados. Ele defende que a iniciativa continue para que os equipamentos permaneçam em uso e alcancem novas turmas.
“Essa política precisa continuar. A realidade virtual, a robótica, os Chromebooks e as demais ferramentas fazem parte de uma mudança que já começou em 2019. Mato Grosso passou a construir uma escola pública mais conectada com o estudante que vive em um mundo digital todos os dias”, completou.”
