17/04/2026

17 de abril de 2026 17:27

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Alta dos fertilizantes atinge safra de trigo da Argentina antes do plantio

A guerra do Irã aumentou os preços da ureia, fertilizante essencial ​para garantir uma colheita de trigo bem-sucedida na Argentina, ​impondo aos agricultores a uma situação difícil semanas antes do início da safra no próximo mês.

Um aumento de quase 100% no preço da ureia — um fertilizante que fornece nitrogênio — como resultado da guerra que começou no final de fevereiro, forçou muitos produtores locais a avaliar se deveriam reduzir suas aplicações do produto ou abandonar os planos de plantio.

“Fizemos as contas outro ⁠dia e nossa ideia se resume ​a duas opções: ou não plantamos trigo e plantamos algo que me ​será útil para o gado, como cevada ou aveia, ou o fazemos, mas com muito ⁠pouco fertilizante, sem pensar em alta produtividade”, ⁠disse à Reuters Roman Gutierrez, produtor agrícola da cidade de Pergamino, na ​província ‌de Buenos Aires.

A ureia está agora em US$ 1 mil por tonelada — acima dos US$ 500 de ⁠pouco mais de um mês atrás, de acordo com Gustavo Churín, analista que acompanha o mercado de fertilizantes. Ele atribuiu o aumento no preço à contração do fornecimento global de ureia dos ‌países ⁠do Golfo Pérsico devido ‌à guerra e seu impacto no comércio que utiliza o Estreito de Ormuz.

Um recorde de 29,5 milhões de toneladas de trigo foi colhido na última safra do cereaal da Argentina, de ⁠acordo com dados da bolsa de grãos de ⁠Rosário, onde funciona o principal mercado de grãos da Argentina.

A bolsa ainda não publicou estimativas sobre a próxima safra ‌de trigo.

A Argentina é o principal fornecedor de trigo ao Brasil.

O papel da uréia

A Argentina usa aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de ureia por ano. Além do trigo, é usada na produção de milho e ajuda no desenvolvimento das plantas.

A ureia é “a chave ‌mestra que permite aspirar a outros níveis de rendimento”, disse Cristian Russo, chefe de estimativas agrícolas da Bolsa de Grãos de Rosário.

No entanto, em Venado Tuerto, uma cidade nas ⁠planícies férteis da província de Santa Fé, os produtores foram forçados a fazer cortes.

A fazendeira local Noelia Castagnani disse que os produtores não estão comprando ureia e podem mudar seu foco ​do trigo para aumentar a área de milho ou soja quando for plantada no final do ​ano.

“Não há muitas consultas sobre fertilizantes”, disse Castagnani. “A margem de lucro é muito limitada.”

Churin disse que o fim das hostilidades no Oriente Médio não faria com que os preços da ureia voltassem imediatamente aos níveis anteriores ao conflito, ‌mas proporcionaria algum alívio.

 

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