O assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, criticou a escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela durante uma entrevista para o jornal britânico The Guardian, divulgada nesta segunda-feira (8).
“Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, disse o diplomata.
Desde setembro, os Estados Unidos destruíram 21 embarcações que supostamente levavam drogas ilegais, embora em nenhum caso tenham apresentado provas. Mais de 80 pessoas morreram nesses ataques.
O governo Trump enviou mais de uma dúzia de navios de guerra e 15 mil soldados para a região do Caribe como parte da “Operação Southern Spear” do Pentágono.
Além disso, Washington designou o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, uma medida que permitirá que os EUA imponham novas sanções contra os bens e infraestruturas do ditador Nicolás Maduro.
Embora o Brasil não tenha reconhecido o resultado das eleições na Venezuela, Amorim categorizou a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de ordenar o fechamento do espaço aéreo venezuelano, como um “ato de guerra” e alertou sobre os riscos de um conflito generalizado na região.
Segundo o assessor, uma invasão ou ataque dos EUA a Caracas poderia mergulhar a América do Sul em um conflito semelhante ao do Vietnã.
“A última coisa que queremos é que a América do Sul se torne uma zona de guerra – e uma zona de guerra que inevitavelmente não seria apenas uma guerra entre os EUA e a Venezuela. Acabaria por ter envolvimento global e isso seria realmente lamentável”.