O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que decidirá “em breve” sobre a venda de armas a Taiwan, à medida que o fornecimento de equipamentos militares à ilha se tornou um ponto central da visita do republicano à China em abril.
Trump, que conversou com o presidente da China, Xi Jinping, por telefone no início do mês, foi questionado na noite de segunda-feira sobre o alerta feito por Pequim de que tais vendas de armas deveriam ser tratadas com “prudência”.
“Estou conversando com ele [Xi]” sobre isso”, disse Trump a bordo do Air Force One. “Tivemos uma boa conversa. E tomaremos uma decisão em breve”, completou, acrescentando ter um “bom relacionamento” com o líder chinês.
No fim do ano passado, os EUA aprovaram a venda de cerca de US$ 11 bilhões em armas a Taiwan. Pequim criticou duramente a medida e, dias depois, lançou amplos exercícios militares ao redor da ilha.
A China reivindica Taiwan como parte de seu território, enquanto o governo democrático da ilha, liderado por Lai Ching-te, e grande parte da população rejeitam a argumentação de Pequim.
No início deste mês, o jornal britânico Financial Times noticiou que a Casa Branca estava considerando outro pacote a Taiwan, potencialmente ainda maior do que o inicialmente aprovado.
Lev Nachman, cientista político da Universidade Nacional de Taiwan, disse que, se a venda de armas à ilha realmente estiver na mesa das negociações entre EUA e China, como sugerem as mais recentes declarações de Trump, isso marcaria uma “nova era de incerteza”.
“Só o fato de Trump dizer isso em voz alta já é problemático para o governo Lai”, afirmou ele, observando que rivais políticos em Taiwan têm questionado a dependência da ilha em relação aos EUA, inclusive um acordo comercial recentemente finalizado.
“Alguns dizem que [as declarações] poderiam violar as Seis Garantias, mas isso só seria o caso se houvesse algum tipo de mudança na natureza da venda de armas dos EUA a Taiwan”, alertou Nachman,
O especialista se referia a garantias de segurança feitas no passado a Taipé, uma das quais estabelece que os EUA não consultariam Pequim ao vender armas a Taiwan.
“Até sabermos mais, isso coloca um pilar importante da relação entre EUA e Taiwan em um potencial limbo”, acrescentou o cientista político.
As discussões ocorrem enquanto um impasse político em Taiwan ameaça complicar ainda mais os laços não oficiais de Taipé com Washington.
O partido oposicionista Kuomintang (KMT) e o Partido do Povo de Taiwan, que juntos controlam o Legislativo, vêm bloqueando o orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões proposto por Lai, destinado a dissuadir a China e atender aos apelos do governo Trump para que a ilha aumente seus gastos com segurança.
O impasse gerou críticas e pressão dos EUA, incluindo uma carta assinada por dezenas de parlamentares americanos na semana passada, instando o presidente do Parlamento do KMT, Han Kuo-yu, e outros atores-chave a avançarem com o processo.
Han divulgou na segunda-feira uma declaração conjunta com seu vice, prometendo que o gasto especial com defesa será “tratado como prioridade legislativa máxima” quando o Parlamento reabrir após o Ano Novo Lunar, segundo a mídia local.
