13/01/2026

13 de janeiro de 2026 04:59

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Árbitros de futebol enfrentam formação precária e ingerência das federações

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou em 2023 a construção de um centro de treinamento exclusivo para árbitros alegando restrições orçamentárias, embora tenha arrecadado mais de R$ 1 bilhão naquele ano. A obra era uma reivindicação da comissão de arbitragem da própria confederação, na época chefiada pelo ex-árbitro Wilson Luiz Seneme. Agora, a CBF volta a se movimentar, tendo criado um Grupo de Trabalho (GT) de Arbitragem em novembro para treinar, capacitar e contratar árbitros até o início de 2026 – uma antecipação do plano original, que tinha como prazo 2027.

Revisar as condições de formação e profissionalização dos árbitros no Brasil é uma demanda antiga, segundo Gabriel Correia, professor da Faculdade de Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF), campus de Macaé. Ele é o primeiro autor de um artigo publicado em 2024, na revista Organizações & Sociedade, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre a questão. O trabalho traz entrevistas realizadas por Correia com 21 ex-árbitros – 19 homens e duas mulheres – que atuaram entre os anos de 1960 e 2000 vinculados à Federação Mineira de Futebol (FMF).

No artigo, os pesquisadores destacam que a falta de preparo, a desarticulação da classe, a hegemonia de entidades, a falta de estrutura, a dupla jornada, a retaliação e a vulnerabilidade à violência estão entre os principais problemas da profissão. “O árbitro é muito exigido do ponto de vista profissional, físico e mental, mas não tem suporte profissional para isso. Alguns precisam pagar do próprio bolso a academia de ginástica, o nutricionista, os médicos e os psicólogos, por exemplo, para que se mantenham no nível de atletas de elite”, diz o pesquisador.

O artigo “The mental health of sporting officials: A systematic review and meta-analysis”, publicado em setembro na revista Sports Medicine, mostra que os problemas de saúde enfrentados por árbitros não são circunscritos ao Brasil. Vinculados a universidades australianas, os autores analisaram 26 estudos sobre saúde mental com um total de 11.618 árbitros, sobretudo de futebol, de vários países da Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul e Oceania.

Segundo o levantamento, 19% deles têm sintomas elevados de ansiedade e 21% de depressão. O estudo identifica como principal fator de risco a pressão de torcedores e atletas, que afeta de forma mais pronunciada árbitros em início de carreira. A pesquisa mostra ainda que ligas e federações oferecem pouco apoio estruturado, contribuindo para o desgaste psicológico e a evasão da categoria, com uma média de 20% a 35% de árbitros que interrompem ou abandonam a profissão após uma temporada.

Para Correia, é fundamental que os árbitros tenham contrato profissional estabelecido com as federações ou a CBF. “Esse documento oferece estabilidade do ponto de vista financeiro e uma proteção a mais contra a ingerência política e contra o autoritarismo das entidades de organização do futebol, embora nenhum contrato proteja totalmente o trabalhador dessas questões.”

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